BBC Brasil
30/06/2009 - 13h02

Críticas de Sarkozy a chanceler causam mal-estar em Israel

GUILA FLINT
da BBC Brasil

Um pedido feito pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, para que este se livrasse de seu ministro das Relações Exteriores, causou grande irritação e constrangimento em Israel.

O pedido teria sido feito por Sarkozy durante encontro com Netanyahu em Paris na semana passada, porém só foi divulgado pelos meios de comunicação israelenses nesta semana. Os meios de comunicação afirmam que o presidente francês aconselhou o premiê israelense a "se livrar desse homem [o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman] e colocar [Tzipi] Livni em seu lugar".

Benoit Tessier/Reuters
Nicolas Sarkozy e Binyamin Netanyahu em encontro em Paris; presidente francês teria pedido afastamento de chanceler
Nicolas Sarkozy e Binyamin Netanyahu em encontro em Paris; presidente francês teria pedido afastamento de chanceler

Lieberman é conhecido por suas posições de extrema-direita e Livni, sua antecessora no cargo, é líder do Kadima, o principal partido de oposição em Israel, e candidata derrotada para o cargo de Netanyahu.

Os comentários, feitos na presença de ao menos cinco israelenses que acompanhavam a visita de Netanyahu ao palácio do Eliseu, vazaram para o canal 2 da TV israelense e ainda não foram negados pelas autoridades israelenses nem pelas autoridades francesas.

Segundo as informações publicadas na imprensa israelense, Sarkozy afirmou a Netanyahu que já recebeu vários ministros do Exterior israelenses, "mas com esse não dá", disse, se referindo ao ministro Lieberman. "Se você tirar esse homem e colocar Livni no lugar, pode realizar atos históricos", afirmou Sarkozy.

De acordo com o maior site de noticias de Israel, o Ynet, os comentários de Sarkozy e principalmente o fato de o gabinete de Netanyahu não ter informado Lieberman sobre as posições do presidente francês, despertaram uma "profunda indignação no Ministério das Relações Exteriores".

O Ynet cita uma "fonte importante" no Ministério que teria afirmado que os comentários de Sarkozy foram "grosseiros e infelizes". "Sarkozy é conhecido pela linguagem sem limites", teria dito a fonte.

De acordo com o porta-voz de Lieberman, Tzahi Moshe, "se essas foram as palavras do presidente da França, então se trata de uma intervenção de um estado democrático nos assuntos de outro estado democrático, é uma coisa grave e intolerável".

"Não dá"

Segundo o canal 2, Netanyahu teria respondido a Sarkozy que "em conversas particulares ele [Lieberman] soa diferente" e Sarkozy teria dito que "em conversas particulares Jean-Marie Le Pen também é muito simpático", comparando o ministro israelense ao líder da extrema-direita francesa. De acordo com a imprensa local, Netanyahu teria instruído todos os presentes na reunião a não divulgar as informações.

Entre os presentes estava o embaixador de Israel na França, Daniel Sheck, que também não informou o ministério sobre os comentários de Sarkozy.

O incidente gera um constrangimento triplo. Entre Israel e a França, entre o primeiro ministro Netanyahu e o ministro do Exterior Lieberman, e entre o embaixador israelense na França e o ministério das Relações Exteriores em Jerusalém.

De acordo com o ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores, Aharon Abramovitz, "Sarkozy, que é um homem experiente, com certeza sabia que essa informação iria vazar".

Comentários dos leitores
alexandre bakunin (113) 25/11/2009 12h07
alexandre bakunin (113) 25/11/2009 12h07
Santos Júnior (303) 24/11/2009 23h25
Caro Santos Júnior,
Primeiro gostar dizer que aprecio muito suas pautas.
Quando a Wikipédia, em que pese as imperfeições, sou fã dela.
Cite umazinha só fonte de informação que seja despolarizada. Nem digo "imparcial" por que é um conceito relativo, assim como é o conceito de "honestinade". Ninguém pode ser absolutamente honesto com relação a alguém ao algum Estado.
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" Parabéns à diplomacia brasileira, sempre em sintonia com a vontade da maioria..."
Que maioria ?!
Acorda ! Lula só está querendo parecer bem na foto, mas nem sabe aonde está se metendo.
Vaidade pessoal, só isso, nada mais !
193 empresários iranianos na comitiva de seu presidente, por ventura houve tempo para assinar algum acordo comercial ?!
Duvido !
Os políticos de brasília se deixaram influenciar por interesses nas próximas eleições, mas gostei do Exmo. Gov. de S.Paulo José Serra pela sua posição sensata publicada na Folha.
Já tem meu voto !
O que vem do berço, ninguém tira, parabens Exmo.Gov. José Serra !
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Uma pequena correção ao nosso colega Santos Junior:
Os Iranianos não árabes, apenas fazem parte da OPEP e aliás alguns países árabes nem gostam deles por serem xiitas.
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