Lula diz ter boa relação com Gaddafi e que espera visita em setembro
FABRÍCIA PEIXOTO
da BBC
Em visita à Líbia para a Assembleia da União Africana (UA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar que seu colega líbio, Muamar Gaddafi, visite o Brasil ainda este ano. Em entrevista exclusiva às agências Reuters e EFE, na terça-feira, Lula disse que já visitou a Líbia "muitas vezes" e que espera, agora, a visita de Gaddafi ao Brasil.
Lula sugeriu o mês de setembro próximo para a visita, aproveitando a viagem do presidente líbio à Venezuela, onde deverá participar do encontro África-América do Sul. "Esse é o momento do Gaddafi visitar o Brasil", disse Lula, de acordo com a transcrição da entrevista divulgada pelo Palácio do Planalto.
| Sabri Elmehdwi/Efe |
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| O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, que sedia cúpula da União Africana na qual o presidente Lula (à dir.) discursa como convidado |
O presidente disse ainda que "há muito tempo" tem "uma boa relação" com Gaddafi e citou os números da balança comercial entre Brasil e Líbia, Lula ressaltou o "potencial econômico" dos dois países. "Acho que Gaddafi e eu temos a obrigação de acreditar nessa relação e fortalecer essa relação", disse.
Questionado por jornalistas sobre o fato de participar de um evento com a presença de chefes de Estado criticados pela comunidade internacional por não respeitarem princípios democráticos, Lula respondeu que "quando você é convidado, não fica perguntando quem são os outros convidados".
Há 40 anos no poder, Gaddafi foi considerado por anos um pária pela comunidade internacional, mas atualmente passa por um processo de reaproximação com os países do Ocidente.
Sobre a deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, o presidente Lula disse tratar-se de "um ato de insanidade dos políticos hondurenhos".
Segundo ele, o Brasil fará "qualquer coisa" que seja decidida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para restabelecer a democracia em Honduras. "É preciso fazer os golpistas hondurenhos acreditarem que a democracia precisa ser respeitada e que nós não podemos admitir mais golpes militares no nosso continente", disse Lula.
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