Funcionários de embaixada britânica serão julgados no Irã
da BBC
O líder do Conselho dos Guardiões do Irã, aiatolá Ahmad Jannati, afirmou nesta sexta-feira que os funcionários da embaixada do Reino Unido detidos em Teerã e acusados de incitar os protestos ocorridos no país nas últimas semanas serão levados a julgamento.
No último fim de semana, nove funcionários da embaixada britânica foram presos em Teerã. O governo do Reino Unido disse que dois continuam presos.
"A embaixada deles teve participação nestes incidentes, algumas pessoas foram presas", teria afirmado, segundo agências de notícias, Ahmad Jannati.
"Naturalmente eles irão a julgamento. Eles fizeram confissões", acrescentou.
Falando durante as orações desta sexta-feira, ele afirmou que os "inimigos" do Irã planejavam uma "revolução de veludo" no pais, de acordo com a agência de notícias France Presse. Mas não especificou quantos funcionários da embaixada seriam julgados.
De acordo com Jannati, o Ministério do Exterior britânico teria alertado sobre a possibilidade de possíveis "tumultos nas ruas" na época da eleição presidencial de 12 de junho e pedido a seus cidadãos que evitassem locais públicos.
O governo britânico protestou contra as prisões e rejeitou as acusações do Irã, afirmando que elas não têm fundamento.
"Estamos muito preocupados com estas informações e estamos investigando. As acusações de que nossos funcionários estavam envolvidos na incitação aos protestos são totalmente sem fundamento", informou o Ministério do Exterior britânico em uma declaração divulgada nesta sexta-feira.
Acusações
Cinco dos nove funcionários da embaixada britânica teriam sido libertados na última segunda-feira (29), e a imprensa estatal iraniana afirmou na quarta-feira (1º) que teria libertado outros três, mas autoridades britânicas e da União Europeia afirmam que dois continuam detidos.
O Irã vem acusando repetidamente governos estrangeiros --especialmente o Reino Unido e os Estados Unidos-- de interferir nos assuntos do país desde a eleição.
A votação resultou na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas seus opositores disseram que o pleito foi fraudulento. Pelo menos 17 pessoas teriam morrido em protestos nas ruas.
A crise levou à expulsão, por Teerã, de dois diplomatas britânicos. O Reino Unido respondeu na mesma moeda, expulsando dois diplomatas iranianos.
O Reino Unido já foi descrito, no mês passado pelo líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, como o "mais terrível" dos inimigos do Irã.
O canal de televisão semi-oficial iraniano Fars afirmou nesta semana que um dos detidos teve um "papel marcante durante os tumultos recentes, nos bastidores".
De acordo com o correspondente diplomático da BBC Jonathan Marcus, o governo britânico vai consultar outros governos europeus que discutiam opções em relação ao Irã, entre elas, a retirada coletiva de seus embaixadores em Teerã por um período limitado, como forma de protesto.
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