BBC Brasil
09/07/2009 - 09h19

Japoneses aderem a escambo para driblar crise

da BBC Brasil, em Tóquio

Compartilhar, trocar e emprestar parecem ser as novas palavras de ordem entre os japoneses para driblar a crise econômica no país. O chamado sharing ("compartilhamento"), promovido por sites, empresas e organizações sociais, está ganhando cada vez mais adeptos no país.

Um deles é a vendedora de seguros Tomoko Ozawa, que há sete meses descobriu o site ShareMo, que promove gratuitamente a troca ou simplesmente o empréstimo de objetos. Desde então, Tomoko já tomou emprestado mais de 40 objetos e despachou outros 50 itens pessoais para pessoas desconhecidas.

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"Se tivesse comprado tudo o que peguei, teria gasto pelo menos 500 dólares", contabiliza a japonesa, que agora conta com objetos de decoração, revistas e acessórios, entre outros itens.

Comportamento antigo

Para divulgar e difundir o conceito, um grupo de empresários criou há cerca de oito meses a organização sem fins lucrativos Sharing Times, com sede em Tóquio. "O sharing é um conceito renovado, na verdade", explicou à BBC Brasil o presidente do grupo, Kazuo Nakane.
Segundo ele, antigamente, o compartilhamento de bens era uma coisa comum no Japão. "As pessoas usavam banhos públicos, faziam as refeições juntos e se ajudavam mutuamente. Depois da Segunda Guerra, o dinheiro passou a ser mais importante e isso acabou com o sistema de sharing", completa.

Por causa dos atuais problemas de aquecimento global e também da crise econômica, Nakane conta que houve uma brecha para divulgar mais amplamente o conceito do sharing e ele tem sido bem aceito pela população. "Ao compartilhar bens você evita o desperdício e economiza", diz.

Como exemplo, o executivo aposentado diz que procura não comprar nada por impulso e foge dos apelos comerciais. "É difícil, ainda mais no Japão, que é um país altamente consumista. Então, nosso trabalho não é o de mudar a sociedade, mas fazer com que ela dê mais valor às coisas."

Guarda-chuvas

Outro que é adepto do compartilhamento de bens é o designer gráfico Jun Otsuka. Ele faz parte de um grupo que promove, desde 2007, o uso coletivo de guarda-chuvas no bairro de Shibuya, na capital japonesa.

"O guarda-chuva é um produto de uso diário, mas as pessoas não cuidam dele, já que no Japão pode-se comprar facilmente esses objetos a preços irrisórios", explica.

A cada ano, o país produz 120 milhões de guarda-chuvas e cerca de 420 mil vão parar nos lixos ou são abandonados. Como é um objeto não-reciclável, o grupo de jovens resolveu dar um jeito de reutilizá-lo.

Atualmente, são 34 lojas cadastradas e cada uma possui um espaço com diversos guarda-chuvas que podem ser usados por qualquer pessoa. Caso ele seja devolvido, a usuário ganha um cupom de desconto que pode ser usado em algum dos comércios parceiros da campanha.

Outros grupos japoneses que promovem o uso coletivo de bicicletas, de terrenos para plantio de legumes e verduras --que depois são divididos entre os que ajudaram a cultivar a terra-- e até de casas de praia e bilhetes de loteria.

O Japão foi um dos países mais atingidos pela atual crise econômica mundial. Recentemente, no entanto, o país começou a dar sinais de melhora.

Nesta semana, o governo japonês divulgou que a produção industrial teve, em maio, um crescimento de 5,9% em relação ao mês anterior --o terceiro aumento consecutivo.

Comentários dos leitores
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
sem opinião
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JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
ISSO É PRIMEIRO MUNDO. POVO POLITIZADO,MAS PERIMERISSIMO MUINDO SÃO ALGUS PAISES EUROPEUS E CANADÁ. ESTAMOS LONGE DE CHEGAR LÁ. sem opinião
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Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Bom dia!
Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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