Aspirina reduz risco de doenças cardíacas em mulheres, diz estudo
da BBC BrasilMulheres saudáveis que tomam uma dose baixa ou moderada de aspirina podem reduzir seu risco de morte prematura, particularmente de doenças cardíacas, afirmou um estudo realizado nos Estados Unidos.
Os pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts e da Faculdade de Medicina de Harvard Medical, em Boston, monitoraram o uso de aspirina por 80 mil mulheres em mais de 20 anos e divulgaram suas conclusões num artigo em Archives of Internal Medicine.
Mas cientistas britânicos afirmam que esses resultados contrariam outros estudos, que advertiram que aspirina pode causar sangramento.
Estudo americano
As mulheres que participaram da pesquisa tinham idades de 35 a 60 anos. Elas foram examinadas em 1980, e depois a cada dois anos até 2004.
No começo do estudo, nenhuma das mulheres apresentava doenças cardiovasculares ou câncer. A cada exame, as mulheres disseram se usavam aspirina regularmente e, em caso positivo, quantos comprimidos tomavam por semana.
Durante o estudo, pouco menos de 30 mil tomavam doses de baixas a moderadas (de um a 14 comprimidos de 325 miligramas por semana), e 5 mil ingeriam mais de 14 comprimidos por semana.
Até 1º de junho de 2004, 9.477 mulheres participantes do estudo haviam morrido. Dentre elas, pouco menos de 2 mil foram vítimas de doenças cardíacas e 4.469 de câncer.
Cada morte foi comparada com a de sete ou oito outras mulheres que participaram do estudo e tinham idade e situação semelhantes.
Fatores de risco
Mulheres que disseram que tomavam doses de baixas a moderadas de aspirina apresentaram um risco 25% menor de morte por qualquer causa em comparação a mulheres que nunca usaram aspirina regularmente.
Usuárias de aspirina tinham um risco 39% menor de morte por doenças cardiovasculares, e 12% menor de morte por câncer.
O uso de doses elevadas de aspirina aparentemente não beneficiou as mulheres.
"O uso de aspirina (por um período) de um a cinco anos foi associado a reduções significativas de mortalidade cardiovascular", escreveram os pesquisadores liderados por Andrew Chan, em Archives of Internal Medicine.
"Em contraste, uma redução significativa do risco de morte por câncer não foi observada depois de dez anos de uso de aspirina."
"O benefício associado à aspirina foi confinado a doses de baixas a moderadas e foi significativamente maior em participantes mais velhas e naquelas com maiores fatores de risco cardíaco."
A equipe disse que a aspirina pode proteger as pessoas de várias formas, inclusive impedindo inflamação e danos celulares a partir de exposição a oxigênio.
Mas ela afirma que, como o estudo examinou mulheres que decidiram tomar ou não aspirina ao invés de optar por testes clínicos aleatórios, os resultados não sugerem que todas as mulheres deveriam tomar aspirina.
Os pesquisadores recomendam a realização de mais pesquisas para avaliar os efeitos da aspirina.
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