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Polêmica histórica marca cerimônia de 70 anos da 2ª Guerra
da BBC Brasil
Líderes mundiais se reúnem nesta terça-feira na Polônia para marcar o aniversário de 70 anos do começo da Segunda Guerra Mundial, em meio à polêmica sobre o papel histórico da ex-União Soviética no conflito.
O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, defendeu o ponto de vista de seu país em um discurso em que afirmou que em 1939 os soviéticos "esfaquearam a Polônia pelas costas".
O discurso foi feito no local onde, há 70 anos, no dia 1º de setembro, às 4h45, o encouraçado alemão Schleswig-Holstein disparou na Polônia vários tiros contra a base de Westerplatte.
Ao mesmo tempo, o Exército alemão invadiu a Polônia pelo leste, oeste e sul, em ataques que deflagraram a declaração de guerra de França e o Reino Unido contra a Alemanha dois dias depois.
Os poloneses, entretanto, sempre consideraram o Tratado de Não-Agressão, firmado entre o regime nazista e os soviéticos uma semana antes da guerra, como o estopim da invasão alemã.
Duas semanas depois, em meados de setembro de 1939, o Exército soviético invadiu o leste da Polônia.
"No dia 17 de setembro, quando ainda estávamos defendendo Varsóvia, foi o dia em que a Polônia recebeu uma facada nas costas", disse Kaczynski.
"Glória aos heróis de Westerplatte, glória a todos os soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial contra o nazismo e contra o totalitarismo bolchevique", concluiu.
Um artigo escrito pelo primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e publicado no jornal polonês "Gazeta Wyborcza", ajudou a aumentar ainda mais a tensão.
Putin condenou o pacto, mas afirmou que a União Soviética não tinha outra opção. Ele observou que, em 1938, França e Reino Unido assinaram o Acordo de Munique com a Alemanha nazista, "destruindo todas as esperanças de criar uma frente unida contra o fascismo".
Ele não fez, entretanto, qualquer referência à invasão da Polônia pelo Exército Vermelho em setembro de 1939.
Putin deverá discursar mais tarde durante as cerimônias desta terça-feira. O primeiro-ministro lidera uma delegação de alto escalão da Rússia e deve ter uma série de encontros bilaterais com a Polônia e a Ucrânia para tentar melhorar as relações entre os países.
É a primeira vez que uma autoridade importante da Rússia participa de uma cerimônia para marcar a Segunda Guerra na Polônia.
Mais de 20 líderes de diversos países, entre eles a chanceler alemã, Angela Merkel, participarão das cerimônias para marcar os 70 anos do início do conflito, que matou mais de 50 milhões de pessoas.
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