Falha de segurança contribuiu para tragédia, diz brasileiro
BRUNO GARCEZda BBC Brasil em Christianburg, Virginia
O brasileiro Mario Leonel, de 22 anos, que é vice-presidente da Associação de Estudantes Brasileiros da Virginia Tech University, acredita que falhas de segurança podem ter contribuído para a tragédia que resultou na morte de mais de 30 pessoas.
"O primeiro tiroteio foi depois das 7h. E o prédio em que ocorreu o segundo fica bem longe. Ele (o autor dos ataques) teve de passar pelo campus inteiro com arma e tudo e ninguém viu nada, ninguém fez nada. Acho que teve um pouco de falha de segurança", afirma Mario, que estuda Economia.
Segundo ele, a sensação de que houve uma falha é reforçada pelo fato de na semana passada a universidade já ter sido palco de duas ameaças de bomba, que não se concretizaram.
"Não sei se quem fez ameaças de bomba foi o mesmo cara que saiu atirando. Mas o campus já devia estar meio alerta. Mas não estou querendo botar a culpa toda neles, não, porque sei que essas coisas podem ser difíceis. Mas alguma coisa poderia ter sido feita para que o estrago não fosse tão grande."
Hora do tiroteio
Mario e sua namorada, Deise Galan, que preside a entidade de alunos brasileiros da Virginia Tech, saíam da sala de aula no horário em que o segundo tiroteio ocorreu.
Ele conta que os dois estavam se dirigindo à biblioteca da universidade, que fica em frente ao edifício Norris, onde foram mortas ao menos 30 pessoas, após o primeiro tiroteio.
Ele e a namorada não ouviram os tiros, mas ao chegar ao local viram "muita gente gritando e correndo. E policiais armados entrando no prédio".
"Perguntamos o que estava acontecendo, e um amigo da minha namorada contou o que ocorreu e disse também que tinha visto duas pessoas pulando pela janela."
Fugindo da violência
"É assustador, porque uma das razões pelas quais saímos do Brasil foi justamente por causa da violência. Eu sou do Rio de Janeiro, a Deise, de São Paulo. São duas cidades violentas. E Blacksburg é um lugar tranqüilo. Eu, por exemplo, nunca nem tranco o meu carro. E acontece uma tragédia dessas."
Ele diz que, mesmo após o trauma ter passado, "sempre vai ficar um medinho". E que as pessoas seguirão se perguntando: "Será que vai vir outro cara atirar em todo mundo? Mas aqui é muito calmo. Nem eu, nem a Deise e nem a comunidade brasileira estamos pensando em ir embora da Virgínia ou da Virginia Tech".
"A gente sabe que é só um cara maluco. É um caso isolado. Não vai virar rotina."
O estudante conta que assim que o massacre ocorreu, estava difícil receber notícias. Mas acrescenta que "pelo que sei, todos meus amigos estão bem. Mas também já ouvi falar de amigos de amigos que morreram e de outro que tomou um tiro na mão."
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