Resultado fortalece governo de Sarkozy, dizem jornais franceses
DANIELA FERNANDESda BBC Brasil, em Paris
Os principais jornais franceses desta segunda-feira afirmam que o novo presidente eleito da França, o conservador Nicolas Sarkozy, irá iniciar seu mandato em posição de força devido à ampla vantagem de votos que obteve contra sua rival, a socialista Ségolène Royal.
Sarkozy obteve 53,06% dos votos, ainda sem computar os números dos franceses que residem no exterior, resultado superior ao obtido pela maioria dos presidentes franceses já eleitos.
Para o jornal "Le Parisien", considerado de centro, o "triunfo de Sarkozy é total".
Primeiro, diz o jornal, porque é a primeira vez desde 1974, na eleição de Valéry Giscard d'Estaing, que um candidato é eleito presidente em sua primeira tentativa.
E também porque "Sarkozy percorreu um caminho sem erros".
O "Le Parisien" ressalta que Sarkozy colocou em evidência a linha mais à direita de seu partido, o UMP, sem duvidar da eficácia de sua estratégia.
"Contra a opinião muitas vezes de seu próprio campo, ele defendeu que a França do século 21 deseja ordem, autoridade, segurança, mas também reformas", escreve o "Le Parisien".
"Vontade do povo"
O jornal "Libération", de esquerda, escreve em seu editorial que Sarkozy deve sua vitória à sua "franqueza provocante, à idéia de ruptura que convenceu 53% dos eleitores de que a França sairá de seu marasmo com métodos enérgicos", antes de concluir que "é duro, mas é a vontade do povo".
Segundo o jornal de esquerda, a diferença de votos a favor de Sarkozy é algo que deve ser refletido por toda a esquerda francesa. "A imobilidade doutrinária do Partido Socialista, produzida por suas divisões, afundou a eleição já desde seu início", conclui o Libération.
O jornal econômico Les Echos afirma que os resultados de Sarkozy asseguram uma ampla maioria para que a França introduza reformas buscando maior competitividade.
Para o jornal "Le Figaro", de direita, a vitória "magistral" de Sarkozy foi "radiante e histórica" e "marca o fim de uma época".
O jornal lembra que pela primeira vez em 26 anos uma eleição presidencial deixa de representar uma alternância política em termos de esquerda e direita, quebrando o ciclo de dois governos consecutivos de esquerda e dois seguidos de direita, com Jacques Chirac.
"É o fim da alternância sistemática, da oscilação frenética que permitia que um presidente viesse desfazer o que o outro havia começado a construir", diz o "Le Figaro" em seu editorial.
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