BBC Brasil
22/10/2009 - 05h45

Ópio mata mais em países da Otan que guerra no Afeganistão, diz ONU

da BBC Brasil

Um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, na sigla em inglês) sugere que a quantidade de ópio produzida no Afeganistão mata mais pessoas dos países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que a guerra em território afegão.

Segundo o documento, cerca de dez mil pessoas morrem pelo consumo de heroína todos os anos nos países da aliança --um número cinco vezes maior do que o total de soldados da Otan mortos no Afeganistão desde o início da ofensiva, em 2001.

Na Rússia --o país mais afetado pela droga-- o total de 30 mil mortes anuais causadas pelo consumo é maior do que o total de mortos na campanha da antiga União Soviética no país entre 1979 e 1989.

De acordo com a UNODC, o mercado de ópio gera um negócio de US$ 65 bilhões, financia o terrorismo global, abastece 15 milhões de viciados em opiáceos e mata 100 mil pessoas todos os anos.

O Afeganistão produz 92% do ópio no mundo, o equivalente a 3,5 mil toneladas todos os anos.

Impacto global

Diferentemente de relatórios já publicados pela ONU sobre o ópio no Afeganistão, o mais recente não se concentra somente na produção e no tráfico, mas também na dependência, no crime e na insurgência geradas pela droga.

Segundo o diretor do UNODC, Antonio Maria Costa, o documento identificou "as consequências globais do comércio afegão de ópio".

"Alguns são devastadores, mas esperados; outros parecem surpreendentes, mas são bem reais", disse Costa.

Além do número de vítimas causadas pelo consumo dos opiáceos, o relatório destaca ainda os lucros cada vez maiores que o Taleban e outros grupos insurgentes arrecadam com os impostos cobrados pela produção de ópio no Afeganistão.

De acordo com o documento, cerca de US$ 160 milhões anuais do dinheiro arrecadado com a produção estariam disponíveis para apoiar atividades terroristas.

"O envolvimento direto do Taleban no comércio do ópio permite que a milícia financie a máquina de guerra que se está se tornando cada vez mais complexa e abrangente", disse Costa.

"Alguns dos que lucram com o tráfico de heroína vestem ternos e colarinhos brancos, outros turbantes pretos", afirmou.

Apreensões

O documento indica ainda que as fronteiras "sem leis, corruptas e sem controle" dificultam as apreensões das autoridades afegãs. Segundo o relatório, apenas 2% das drogas são apreendidas todos os anos, comparados com 36% na Colômbia.

As taxas de apreensão tendem a diminuir com a aproximação das drogas dos mercados mais lucrativos, já que o valor dobra a cada fronteira ultrapassada.

O relatório afirma que O Irã intercepta 20% do ópio que entra no território do país e o Paquistão 17%, mas a Rússia e outros países europeus apreendem menos de 5%.

A ONU estima que uma grama de heroína vale três dólares em Cabul, mas pode ser vendida por até cem dólares nas ruas de Londres, Milão ou Moscou.

A agência da ONU pede a intensificação dos recursos internacionais para combater o problema na fonte, ou seja, no Afeganistão e arredores, onde é mais barato garantir o cumprimento da lei.

"Eu peço aos amigos do Afeganistão que reconheçam que, em grande parte, essas verdades inconvenientes podem ser resultado de um abandono benigno",

De acordo com o documento, há uma necessidade cada vez maior de localizar e destruir os estoques de ópio afegão --a UNODC acredita que cerca de 12 mil toneladas podem estar armazenadas.

Segundo o relatório, com a oferta bem maior do que a atual demanda, há grandes preocupações de que o ópio do Afeganistão tenha o potencial de abastecer o tráfico de drogas e o terrorismo por muitos anos.

Comentários dos leitores
Joel Saraiva (133) 27/11/2009 17h22
Joel Saraiva (133) 27/11/2009 17h22
Mundo civilizado, cultura adiantada, ou seja, de primeiro mundo, Europa, é assim, quando o sujeito "peca", não adianta "confessar para o padre", nem pedir perdão a Deus, o negócio é ir direto para o inferno. Lá pelo menos, terá companheios que já fazem "festa" com o que desviou, junto com seu chefe, o Satã. Quem tem vergonha na cara, não quer enfrentar a sociedade pela frente, após o cometimento de atos ilícitos e imorais. No Japão, costumam cometer o harakiri, na Ásia de modo em geral, e Europa, pedem perdão e, vão prá casa se esconder de vergonha. No Brasil, continuam na política, de cara limpa, engabelando o povo, não temendo a Justiça, pelo contrário, contratam advogados dos mais expressivos, para se safarem. Também pudera, estamos ainda na faixa do terceiro mundo, somos latinos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo/SP 1 opinião
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Antonio Fouto Dias (2776) 27/11/2009 16h50
Antonio Fouto Dias (2776) 27/11/2009 16h50
Em qualquer país sério e principalmente desenvolvido, quando se descobre um escândalo, os envolvidos correm para renunciar aos seus cargos.
E no Brasil, como se comportam os políticos envolvidos em escândalos?
Ah!!! Estou me lembrando do que disse um reporter em um telejornal, quando se referia à corrupção:
'ENQUANTO NA ÁSIA, OS CORRUPTOS QUANDO DESCOBERTOS, SE MATAM, NO BRASIL ELES MORREM, DE RIR".
Éh!!! Faz sentido.
sem opinião
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Jaime Dos Santos (2) 27/11/2009 13h14
Jaime Dos Santos (2) 27/11/2009 13h14
São mdois pesos e duas medidas: Israel não permite inspeções em seu arsenal atômico e fica por isso mesmo, já o Irã, não pode enriquecer urânio> Um General ordena ataques que matam civis no Afeganistão e sequer é processado por crimes de Guerra, enquanto faz-se um alarde incrível com a Coréia do Norte. Oh ! Hipocrisia sem opinião
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