BBC Brasil
22/10/2009 - 05h46

IOF sobre capital externo é medida "sábia", diz "Financial Times"

da BBC Brasil

Em editorial publicado nesta quinta-feira, o jornal britânico "Financial Times" apoia a decisão do governo brasileiro de taxar em 2% a entrada de capital estrangeiro no mercado financeiro, afirmando que o país está sendo "sábio" ao tentar evitar uma bolha especulativa "antes que seja tarde demais".

No artigo, intitulado "Atração fatal", o jornal avalia que "a modesta taxa sobre entrada de capital do Brasil é uma política sábia", argumentando que o fluxo excessivo de capital para o mercado pode trazer mais estragos que benefícios ao país.

"A paixão dos investidores impulsionou a moeda em 54,5% em relação ao dólar e 23% em termos de comércio - até que o governo disse 'chega' e impôs uma taxa de 2% sobre a entrada de capital para carteiras de investimento. Embora investidores ofendidos tenham deixado o preço das ações e do real cair, foi uma boa escolha", diz o editorial.

"Diferentemente da garota de Ipanema, o suíngue e o balanço do real é bem menos bacana e delicado", brincam os editorialistas.

O editorial observa que "cada vez mais, o capital entra no Brasil através das carteiras de investimento em vez de investimento direto externo".

"Enquanto a IED (média de investimento externo direto) em agosto, de US$ 1,6 bilhão, foi menos da metade de um ano antes, os fluxos para as carteiras de investimento mais que duplicaram, chegando a US$ 5,2 bilhões", cita.

"Estão colocados os ingredientes para uma clássica bolha de ativos de mercado emergente. O iminente status do Brasil como potência exportadora de petróleo aumenta a pressão."

Na avaliação do "FT", "o governo é sábio de se preocupar antes que seja tarde demais". "Nosso sistema monetário global, frágil e febril, deixa os países emergentes com menos opções para conter as bolhas, todas piores do que esta."

Para o jornal, "o Brasil tem elaborado suas políticas de maneira sensata".

"A taxa é modesta. Não se aplica ao investimento direto, menos propenso às bolhas de ativos. Mais importante, ela trata o investidor honestamente, taxando-os na ida ao invés de no momento em que eles tentam reaver seu dinheiro, como fez a Malásia há uma década. Agora o governo deve tranquilizar investidores, certificando-se de que eles entendem o raciocínio."

Câmbio

Entretanto, o jornal avalia que a posição do governo ao tentar justificar a taxa de 2% alegando uma tentativa de controle do câmbio é "começar as coisas pelo lado errado".

"A apreciação do real é sintoma da charada do Brasil; a causa subjacente são os fluxos de capitais que há anos vêm aumentando de intensidade e foram temporariamente interrompidos pela crise financeira", diz o artigo.

Concluindo o editorial, o "FT" avalia que "um Brasil bem-sucedido terá de viver com um real mais forte". "A taxa não altera este fato, mas ajuda a manter a tarefa sob controle."

Comentários dos leitores
Walter Hahn (1) 05/11/2009 10h12
Walter Hahn (1) 05/11/2009 10h12
"...uma moeda é como qualquer outro produto e ..., seu valor deve ser definido pela lei de oferta e demanda.". É exatamente o que o governo está fazendo. Obedecendo esta lei básica da economia, a ação do governo visa atuar sobre a oferta, para reduzi-la e, assim, aumentar o preço do citado "produto" sem opinião
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Ale Alves (1) 05/11/2009 09h07
Ale Alves (1) 05/11/2009 09h07
Infelizmente não concordo com essas opniões, mas as respeito. Acho que tudo isso é apenas uma ilusão de um país em crescimento, lembrando que o país não se resume em um minoria empresarial, e sim em uma grande massa que não se beneficia em nada com as exportações e um dólar a R$ 2,00, um país que taxa imposto em mais da metadade do valor de seus produto, em um país que não respeita um direito constitucional de ir e vir, cobrando pedágios nas estradas, e que nós já pagamos nos impostos da gasolina (40% do seu valor) para sua manutenção, ora! se o governo quer terceirizar então ele que repasse a essas empresas os impostos já recolhidos. Um governo que se orgulha tanto em bater recordes de arrecadação do PIB, mas que só investe 7% desse valor em educação e 14% em saúde. Isso é um governo que merece Parabéns? Acho que não. sem opinião
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jose valias (315) 05/11/2009 09h03
jose valias (315) 05/11/2009 09h03
O Secretário de Politicas Economicas, Nelson Barbosa citou o patamar ideal para o dolar " $2.10 ".
Seria um ponto de equilibrio cambial que não atrapalharia ninguem e não favoreceria ninguem em detrimento de outros. Aí sim, dependeriamos só de nossa competência para a balança comercial e para gerar empregos e renda na industria e agropecuária. CHEGA DE ESPECULAÇÃO NA BOLSA E DOLARES VOLÁTEIS. Nos deixem trabalhar e competir dignamênte. R$2,10 para o dolar é bom para importadores e exportadores e consequentemênte para todo o Brasil. Comprar quinquilharias chinesas com real super valorizado, em detrimento de nossos produtos não é bom.
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