BBC Brasil
29/10/2009 - 18h44

Cristina Kirchner cria espécie de Bolsa Família argentino

MARCIA CARMO
da BBC Brasil, em Buenos Aires

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta quinta-feira (29) a distribuição de 180 pesos (cerca de R$ 90) para as crianças e adolescentes de até 18 anos que sejam filhos de pais desempregados ou que estejam na economia informal e não ganhem o suficiente para suas necessidades básicas.

O programa tem traços com o bolsa família brasileiro, já que exige a frequência na escola, além de comprovante de vacinação das doenças comuns no país para aqueles que têm até 4 anos. "Eu estaria mentindo se falasse que com essa ajuda estamos acabando com a pobreza na Argentina. Mas esta é uma forma de socorrer aos mais carentes", afirmou a presidente, em rede nacional de rádio e de televisão.

Cristina destacou ainda que o "trabalho é o único instrumento" capaz de melhorar a vida das pessoas. Segundo ela, para isso o governo vai continuar "trabalhando" para que sejam geradas mais atividade industrial e comércio no país.

A presidente informou que o programa custará 9,9 bilhões de pesos e que estes recursos serão provenientes da Anses (Administradora Nacional de Segurança Social). Recentemente, a Anses incorporou os fundos privados de pensão e de aposentadorias, estatizados no governo de Cristina.

"Se tivéssemos deixado estes recursos nas empresas privadas de aposentadorias e pensões, eles seriam para pagar comissões ou outras coisas e não para distribuir para os trabalhadores", afirmou.

O programa prevê, destacou a presidente, que 80% dos 180 pesos sejam depositados mensalmente para os beneficiados. Os 20% restantes só serão pagos no ano seguinte a partir da comprovação de que os alunos atenderam as exigências de comparecimento à escola e vacinação. "Esse é um programa inovador no mundo inteiro", disse a ministra de Ação Social, Alícia Kirchner, cunhada da presidente.

O ministro da Economia, Amado Boudou, afirmou que a medida entra em vigor no dia primeiro de novembro. Cristina assinou o equivalente a uma medida provisória no Brasil, chamado decreto de necessidade e urgência. Por isso, o texto será enviado ao Congresso, mesmo depois de passar a vigorar.

O anúncio foi feito num momento em que setores da oposição e da Igreja Católica, além de especialistas, criticam o governo pelo aumento da pobreza e pela suposta manipulação de dados oficiais que comprovariam essa realidade.

 

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