BBC Brasil
31/10/2009 - 03h10

Chávez diz que Zelaya voltará "nas próximas horas"

da BBC Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na noite desta sexta-feira, ter informações de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, regressará ao poder "nas próximas horas".

"Nos chegou informação de que Zelaya regressará ao poder nas próximas horas", disse.

Chávez admitiu não conhecer detalhes do acordo que foi firmado nesta sexta-feira com o governo interino e o líder deposto, mas ressaltou que "independentemente" dos alcances da negociação, dos resultados das eleições e da data em que ela ocorra, "independentemente de tudo, há uma grande vitória moral", disse Chávez em um ato público realizado em Caracas, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixar o país.

O acordo prevê que a decisão sobre o retorno do líder deposto seria do Congresso, com uma consulta prévia ao Supremo Tribunal de Justiça, para a formação de um governo de união nacional que reconheceria as eleições nacionais marcadas para 29 de novembro.

Chávez, que se tornou o principal aliado de Zelaya na América do Sul, disse não ter dúvidas que em Honduras "a vontade do povo será imposta".

"Se Zelaya restituído não puder convocar uma Assembleia Constituinte, poderíamos dizer, por enquanto (por ahora), porque a história está apenas começando", disse Chávez ao utilizar o "por ahora" - frase que o lançou na política quando fracassou uma tentativa de golpe de Estado em 1992, contra o então presidente Carlos Andrés Perez.

Lula

Mais cedo, antes de retornar ao Brasil, Lula disse "aconteceu o que deveria acontecer", em relação à crise hondurenha.

"Prevaleceu o bom senso, que é fazer um acordo, convocar eleições e Honduras voltar à normalidade. A lição que fica para nós é que ninguém mais aceita golpe militar. Todo mundo defende o fortalecimento da democracia. Espero que o acordo seja cumprido", afirmou Lula na base aérea de El Tigre, no centro-oeste da Venezuela.

O presidente deposto de Honduras elogiou nesta sexta-feira o acordo firmado com o governo interino para pôr fim à crise do país, mas ressaltou que o pacto depende ainda da aprovação do Congresso hondurenho.

"O Congresso nacional tem uma grande responsabilidade em colocar um ponto final neste conflito", afirmou por telefone à BBC.

"Se (o acordo) fracassar, o que é uma possibilidade, seria um desastre moral para todos nós que estamos lutando pela democracia."

Comentários dos leitores
Ademar Antonio (1) 22/12/2009 16h32
Ademar Antonio (1) 22/12/2009 16h32
Debatedores: O que muitos de voces não sabem que a Costa Rica, país vizinho a Honduras, é a mais antiga democracia da América Latina e esta democracia está baseada em 2 pilares: é vetada a releeição em qualquer nível e obrigatoriedade de uma quarentena de uma legislatura, de modos a impedir a formação de políticos profissionais e de lideres populistas de direita ou esquerda, como estão se formando varios outros na América Latina (ex. Chaves, Evo, Correa, e tambem o Uribe). Lembrem que no ódio sempre se perde a razão. sem opinião
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Josué Baesso (1) 22/12/2009 12h17
Josué Baesso (1) 22/12/2009 12h17
O episódio Zelaya já acabou graças a sabedoria do povo hondurenho, que não quer ditaduras travestidas em plebiscitos, comprados com populismo irresponsável daqueles que qerem se perpetuar no poder.
Espero que o aprendiz de ditador permaneça preso na armadilha que o mesmo criou com a ajuda do Chavez, do Amorim e do Lula, pelo menos durante o Natal e Ano Novo, para aprender a não querer mais burlar a própria constiruição de seu país, como exemplo para outros arrogantes que pensam que só eles sabem governar.
2 opiniões
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celio maia (131) 22/12/2009 10h24
celio maia (131) 22/12/2009 10h24
Na eleição atual, Porfirio Lobo somou 1.213.695 votos (56,56%), e seu rival Elvin Santos 817.524 votos (38,09%). Na eleição anterior, Zelaia obteve 999.006 votos, e seu principal rival, Porfirio Lobo, do governista Partido Nacional, somou 925.243 votos. Vale dizer, o futuro presidente obteve um sufrágio 21,5% maior do que o presidente deposto. Apesar disso, ainda há alguns tresloucratas que juram de pés juntos que não reconhecerão a vontade popular hondurenha, conquanto reconheçam a suspeitíssima eleição iraniana. Haja hipocrisia... 2 opiniões
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