BBC Brasil
01/11/2009 - 11h54

Em meio a incertezas, hondurenhos falam de "pacto secreto" para volta de Zelaya

da BBC Brasil

Em meio à indefinição sobre o futuro da crise em Honduras, já circulam no país rumores de um 'pacto secreto' costurado pelo negociador americano, Thomas Shannon, com parlamentares do governo deposto e do governo interino.

O deputado Marvin Ponce, do Partido da Unificação Democrática, que se alinha com o presidente deposto, Manuel Zelaya, disse à BBC Mundo que existe um 'acordo tácito' para reconduzi-lo ao cargo.

A decisão cabe ao Congresso, e por isso Ponce reconhece que a volta do presidente deposto à liderança do país não é garantida. Mas seria 'altamente provável', segundo ele.

Nas ruas da capital hondurenha, Tegucigalpa, as incertezas imperam. Circulam versões sobre a negociação entre Shannon e as partes conflitantes, e sobre o que o Congresso decidirá a respeito da volta de Zelaya.

'Oitenta e sete por cento da população hondurenha apoia o governo de Roberto Micheletti e portanto nós, como deputados, deveríamos atender os interesses da população', afirmou a vice-presidente do Congresso, Marcia de Villeda, para quem a 'vontade majoritária' dos deputados vai contra a restituição do presidente deposto.

A parlamentar liberal espera que a Corte Suprema do país emita uma resolução contrária a Zelaya, e que o Congresso ratifique essa mesma postura.

Para ela, o presidente deposto seria afastado de vez de seu cargo, não pela força das armas, mas com a legitimidade do acordo assinado sob tutela dos Estados Unidos entre as partes em conflito.

O deputado Marvin Ponce insiste na existência de um 'acordo tácito', e acrescenta: é tão real que até inclui datas.

'Segundo este acordo não escrito, antes do dia 10 de novembro, Zelaya deveria estar de volta ao poder, e as eleições deveriam ser realizadas no fim do mês, como estava previsto', disse o parlamentar à BBC.

Em várias mesas negociadoras paralelas à oficial, diferentes fórmulas para assegurar a governabilidade do país foram discutidas. Uma delas previa a volta de Zelaya à Presidência no próximo dia 10, mas sem exercer completamente o cargo até depois das eleições, marcadas para o dia 29.

Congresso

Caberá aos deputados se pronunciar a favor ou contra a restituição de Zelaya, que foi removido do cargo no dia 28 de junho, há mais de quatro meses.

Por isso, a frase da moda hoje em Honduras é que o futuro do país está nas mãos do Congresso.

Na correlação de forças entre os 128 parlamentares, pesarão mais os 62 votos do Partido Liberal (o mesmo de Zelaya e de Micheletti) e os 55 do Partido Nacional.

Estima-se que 17 liberais votarão por Zelaya, além dos cinco do UD, de Ponce. Mas o que definirá a balança será o voto do Partido Nacional.

Por isso, todos os olhos estão postos sobre o candidato presidencial desse partido, Porfírio Lobo, que até agora encabeça a corrida eleitoral.

Fontes próximas às negociações disseram à BBC Mundo que o pacto entre Shannon e os americanos prevê que Lobo peça aos deputados de seu partido que votem pela restituição de Zelaya.

Neste esquema, Shannon teria se comprometido a aceitar o resultado das eleições presidenciais, ainda que alguns dos legisladores aliados a Lobo não se comportem de maneira obediente e votem contra Zelaya.

Dispostas as coisas assim, Porfírio Lobo é, neste momento, um homem-chave em Honduras.

Mas antes que os pontos do acordo sejam cumpridos, é preciso que o Congresso volte a legislar. Quando isto ocorrer, a Casa deve enviar à Corte Suprema um pedido de recomendação quanto à volta de Zelaya ao poder.

Acredita-se que a Corte se pronunciará contra Zelaya, como tem feito até o momento. Mas, como o parecer não é vinculante, não tem o poder de determinar a votação do Congresso.

A votação do retorno de Zelaya seria realizada pelo plenário do Congresso após a manifestação da Justiça.

Espera-se que todo este processo se desenrole nos próximos dias.

Comentários dos leitores
Santos Júnior (316) 02/12/2009 23h42
Santos Júnior (316) 02/12/2009 23h42
SR RICARO PERRONE se o interesse do Lula no caso de Honduras fosse preservação do "princípio democrático" porque ele não cobra este mesmo princípio do governo Cubano, do Zimbábue ou da Líbia?O contrário acontece, simpatia por essas 3 ditaduras que nada têm a acrescentar, só a denunciar a farsa que se esconde por trás de toda esta manobra em vão que o governo brasileiro fez a mando do foro de são paulo para repor a "baixa".Como vimos de nada adiantou e como o senhor percebe, se quiser é claro, o governo dos pobres trabalhadores é pura hipocrisia!Só sendo bolsista mesmo para "não enxergar" tal cinismo! sem opinião
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mario pedrosa (126) 02/12/2009 23h19
mario pedrosa (126) 02/12/2009 23h19
Lula deveria ver vandalismo político é na Venezuela, na Bolívia, no Equador, no Irã. Nestes sim,tem vandalismo político. 1 opinião
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Saulo Mundim Lenza (646) 02/12/2009 21h52
Saulo Mundim Lenza (646) 02/12/2009 21h52
Veremos meu senhor..
Vais ser igualzinho o senhor está lendo:
Zelaya acaba como ex-presidente, eventualmente esquenta o lugar de quem ganhou as eleições, a intervenção dos irresponsáveis brasileiros fica desmoralizada, e ponto final.
Alguma dúvida?
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