BBC Brasil
03/11/2009 - 20h03

Aquecimento da economia não preocupa BC, diz Meirelles

da BBC Brasil, em Oxford (Reino Unido)

A recuperação da economia brasileira após a crise não deve trazer consigo o risco de uma alta da inflação, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Segundo ele, apesar de as projeções do mercado para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no ano que vêm estarem crescendo, as projeções para a inflação permanecem dentro da meta.

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"O mercado projeta um crescimento de 5% no ano que vem. Mas o que é importante para nós, no Banco Central, é que a expectativa da inflação está em 4,4%, bem próximo da meta, que é de 4,5%", afirmou Meirelles após uma palestra a estudantes na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, quando perguntado se a manutenção da redução do IPI sobre a linha branca não poderia causar uma alta inflacionária.

Meirelles participa nesta quarta-feira e quinta-feira de uma série de eventos em Londres acompanhando a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país e segue depois a Saint Andrews, na Escócia, onde no fim de semana acontece uma reunião ministerial do G20.

Regulações prudentes

O G20, que reúne os países mais industrializados do mundo mais os principais países emergentes, é o fórum que vem discutindo as políticas conjuntas de combate à crise econômica global.

Meirelles se disse confiante de que a reunião trará avanços positivos para a adoção de mecanismos de regulação internacionais que evitem bolhas nos mercados semelhantes às que detonaram a atual crise, em 2008.

Segundo ele, muitas das medidas que vêm sendo sugeridas internacionalmente já são adotadas pelo Brasil. "O Brasil adota regulações prudentes e não vai permitir bolhas de crédito", afirmou.

Carry Trades

Questionado se os juros ainda altos do Brasil estariam fomentando o aparecimento de uma bolha provocada pelas operações conhecidas como "carry trades", nas quais os investidores se aproveitam da queda do valor do dólar e dos juros baixos nos Estados Unidos para tomar empréstimos na moeda americana e aplicar em ativos de países emergentes para lucrar duplamente, pela rentabilidade desses ativos e pela diferença de câmbio, Meirelles disse não haver indícios de que isso estaria acontecendo no Brasil.

"Seguimos de perto os fluxos de divisas no Brasil em ambas as direções, e podemos afirmar que o carry trade não é relevante", afirmou o presidente do BC.

Segundo ele, os principais fluxos de divisas entrando no Brasil atualmente têm sido canalizados para o investimento direto na produção industrial e em aplicações no mercado de ações.

Em uma curta entrevista após a palestra em Oxford, Meirelles voltou a citar os estudos para modificar o marco regulatório do sistema cambial brasileiro, com o objetivo de atender a situações de abundância de divisas entrando no país, como vem ocorrendo atualmente.

IOF

O presidente do Banco Central negou que tenha divergências com o Ministério da Economia na maneira de atuar em relação a esse excesso de moeda estrangeira entrando no país

No mês passado, o Ministério da Economia estabeleceu a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os investimentos estrangeiros em ações e em aplicações financeiras.

Segundo Meirelles, os objetivos são diferentes entre eles. "O Banco Central não tem meta para a taxa de câmbio. Estamos preocupados com inflação e com as reservas", disse.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
A respeito de fusão e ou incorporação. São amplas as possibilidades de fusões associações, aquisições, incorporações. Ao mercado brasileiro, a as empresas brasileiras. È de se crer na ampliação dos horizontes empresariais, no Brasil e no mercado internacional, è parte da democracia e globalização...... È importante se pensar nas ampliação das possibilidades de se adotar novas tecnologias, novas formulações, novas visões, novos tratos para uso de produtos usuais do mercado e ou de novas gerações de itens. Exemplifico para o caso do cimento evolução na utilização de agregado, compostos basicos, quimicamente tem faltado dar mais atenção a pontos basicos adequar temperaturas e pequenos arranjos nas confeções. No setor de aço conjuagar produtos atuais do mercado e até novas composições, e ou formatos elaborativos, a exemplo da utilização de pricipios simples, agregando multiplas placas extruturadas. para novos sistemas contrutivos, e ou melhorias aos atuais. è de se prever a construção de predios, avioões, onibus, caminhões, trem,navios, pontes e ou viadutos, "principalmente para se evitar tragédias similar a ocorrida no rodo anel de SP".... nova visão para arquitetura, designer noderno, eficiente, ágil, econômicamente viaveis, e ou industrialmente. e ou a nivel de execução. O fundamental é estar ocorrendo mudança na maneira de se pensar, e avontade de tentar novos processos, bom sinal para o Brasil suas empresas e trabalhadores. sem opinião
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Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Ogrande endividamento público dos países ricos durante a crise é um risco ao crescimento econômico sustentável. Assim como no Brasil, que se endividou muito nos anos 90, perdeu sua capacidade de crescimento e se enfiou em sucessivas crises.
Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
sem opinião
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augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
Ano 2010 está chegando, com uma euforia nunca vista aqui no Brasil. Tudo indica um ano fabulosos em todos os aspectos e para todos. Há duas noticias no Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde de hoje que recomendam cautela. Vejam:
O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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