Parlamento iraquiano aprova reforma eleitoral
da BBC Brasil
Depois de semanas de impasse, o Parlamento do Iraque aprovou neste domingo uma reforma eleitoral que abre caminho para a realização de eleições no país em janeiro, conforme previsto.
A votação do projeto havia sido adiada mais de 10 vezes devido a divergências dos parlamentares. Analistas temiam que a lei não fosse aprovada a tempo de permitir a realização do pleito de janeiro, o que que poderia ameaçar o recente progresso conquistado pelo país em busca de maior estabilidade.
As eleições de janeiro ainda não têm uma data definida, mas são consideradas cruciais para fortalecer a democracia no Iraque e, segundo analistas, podem afetar os planos de retirada das tropas americanas.
Para a realização das eleições, a lei eleitoral deve entrar em vigor em um prazo de pelo menos 90 dias antes da data do pleito.
Neste domingo, em uma sessão transmitida ao vivo pela TV iraquiana, a lei foi aprovada por 141 dos 196 legisladores presentes.
Após a notícia da aprovação da lei, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a votação representa um marco em um momento em que os iraquianos assumem cada vez mais a responsabilidade por seu futuro. "Quero parabenizar os líderes iraquianos por chegar a esse acordo", disse.
Segundo Obama, "os Estados Unidos continuarão ao lado do Iraque como um forte parceiro e um amigo", apesar de a votação abrir caminho para a retirada ordenada das tropas americanas do país.
Divergências
Segundo o analista de política árbe da BBC, Sebastian Usher, a questão mais polêmica da reforma eleitoral era relacionada à distribuição dos assentos no Parlamento para a cidade de Kirkuk.
Localizada no norte do país e situada sobre vastas reservas de petróleo, a cidade é palco de uma disputa de poder entre árabes e curdos. A lei aprovada neste domingo acabou deixando a decisão final sobre Kirkuk para depois.
Outro ponto de divergência da lei era relacionado à maneira como os candidatos devem aparecer nas cédulas eleitorais. Na votação deste domingo, os parlamentares decidiram que as cédulas deverão trazer os nomes dos candidatos, e não apenas os partidos, como previsto na legislação anterior.
Durante as semanas de impasse, os parlamentares iraquianos sofreram intensa pressão por parte dos Estados Unidos e das Nações Unidas, assim como de líderes religiosos, para aprovar a lei. A ONU havia alertado que não poderia garantir o apoio às eleições caso a reforma eleitoral não fosse aprovada.
Segundo observadores, há risco de aumento da violência no Iraque por parte de grupos militantes que tentam desestabilizar o país às vésperas da eleição. Nas últimas semanas, foram registrados diversos ataques em todo o país.
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