África do Sul decide sacrificar elefantes por conta do excesso de animais
da France Presse, em Johanesburgo
A África do Sul suspendeu a proibição do sacrifício de elefantes, prática proibida durante 13 anos. Segundo afirmaram autoridades do país na segunda-feira (25), o impedimento permitiu que a população dos animais duplicasse, o que estaria prejudicando o ambiente.
O ministro do Meio Ambiente Marthinus Van Schalkwyk anunciou que o abate será permitido a partir de 1º de maio. "Nosso ministério reconhece a importância de manter o abate como uma medida de controle da população, mas tomou medidas para garantir que seja tratado como um último recurso", disse.
| Gustavo Chacra/Folha Imagem |
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| Família de elefantes é observada em safári na reserva Shamwari, a cerca de uma hora de Port Elizabeth, na África do Sul |
Os elefantes africanos chegaram a ter a sobrevivência ameaçada pela caça clandestina em 1980. Apenas a partir de 1989, quando o comércio de marfim foi proibido, é que o número dos animais começou a aumentar.
Em 1995, a adoção pelo governo de Pretória de uma moratória sobre o abate terminou com a última ameaça para esses animais, que passaram de 8000 para 18.000 na África do Sul.
Atualmente, a superpopulação de elefantes "gera preocupação com o ambiente, com a viabilidade de outras espécies, com as condições de vida e com a segurança das pessoas que vivem em seu campo de ação", disse o ministro.
Ameaça
A ONG WWF (Fundo Mundial para a Vida Selvagem) admitiu que os elefantes, com uma população que cresce aproximadamente 6% por ano, já que não tem predador após os 15 anos de idade, tornaram-se ameaça para seu habitat.
"Não estamos felizes com a idéia de ter de atirar em elefantes, mas deve-se reconhecer que essa é uma ferramenta para controlar sua população", disse Rob Little, diretor dos programas de conservação da WWF.
"Antigamente, eles poderiam migrar em grandes espaços, mas hoje eles estão confinados por barreiras artificiais", justifica. "Consomem uma quantidade tão grande de vegetação que têm potencial para mudar a paisagem".
Alternativas
Consciente da "admiração e afeto" que os elefantes causam --são considerados um dos símbolos do continente africano--, o ministro Van Schalkwyk apresentou ainda "normas e padrões" para supervisionar rigorosamente o abate.
Antes de usar do sacrifício, todas as outras opções --mudanças no campo de migração, deslocamento forçado ou uso de contraceptivos-- deverão ser excluídas por um profissional.
"Não temos estimativa do número de elefantes que poderão ser afetados, porque tudo vai depender do plano apresentado por cada parque", garantiu Riaan Aucamp, porta-voz do ministro.
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