Equilíbrio
29/04/2008 - 08h36

Confira dez dicas para mergulhar no mundo do aquarismo

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CÍNTIA MARCUCCI
da Revista da Folha

É verdade que ter peixes exige cuidado e dedicação. Nem sempre é fácil mantê-los vivos e saudáveis. Ainda mais para um aquarista iniciante. Confira dicas sobre alimentação, reprodução, temperatura, doenças e higiene. Não se esqueça: as lojas devem ter autorização do Ibama para comercializar os animais e há uma lista de espécies proibidas.

Beatriz Toledo/Folha Imagem
Leia dez dicas básicas para quem pretende mergulhar no aquarismo
Leia dez dicas básicas para quem pretende mergulhar no aquarismo

Aquários temáticos
Com peixes tropicais ou de regiões africanas. A maioria das espécies é reproduzida em cativeiro, tornando mais raras situações como a da animação ''Procurando Nemo''. Nela, um peixe palhaço é capturado no mar e vai parar num aquário.

Origem dos animais e pH da água (há os que vivem em ambientes mais alcalinos; outros, mais ácidos) são imprescindíveis. No aquário marinho, preste atenção se as espécies escolhidas não vão, por exemplo, se alimentar dos corais vivos.

Controle da água
Água de torneira pode ser usada, desde que o cloro seja retirado e tenha quantidade equilibrada de metais e de outros componentes. Existem produtos específicos para essa tarefa. Deixar o líquido pousar também funciona, já que o cloro é volátil.

No caso de água salgada, adicione sal, vendido em lojas especializadas, e faça o ajuste da temperatura e do pH antes de colocar os animais.

O sistema de filtros precisa ser adequado ao tamanho do aquário. Eles mantêm as bactérias benéficas que ajudam a regular a quantidade de amônia, substância altamente tóxica para os peixes. As condições da água devem ser verificadas no mínimo uma vez por semana e corrigidas se houver alterações.

Comida
É um erro alimentar demais o peixe. A quantidade ideal é a que os animais consomem entre dois e três minutos, sem deixar vestígios na superfície, duas vezes ao dia. Comida em excesso suja e desequilibra o aquário. A ração deve ser adequada ao tipo de peixe. Existem "petiscos" como larvas mortas, alimentos vivos e outras variedades.

Decoração
Nem todo aquário pode ter plantas naturais. Se ela não for realmente plantada, de forma que possa tirar nutrientes para sobreviver, vai funcionar como um feijão em um algodão molhado: cresce até o limite e depois morre, liberando substâncias nocivas. Se a opção for um aquário plantado, é preciso adubar a vegetação e deixá-lo com iluminação que simule a luz solar. Conchas e pedras do mar em aquários de água doce podem desequilibrar o pH. Corais vivos são animais e não podem conviver com espécies carnívoras.

Doenças
Manchas ou feridas pelo corpo, olhos opacos ou inchados, descamações, caudas e barbatanas rasgadas ou opacas podem ser sinais de doença. O tratamento é feito individualmente. O peixe doente deve ser separado e avaliado por um especialista, que terá condições de fazer o diagnóstico. O bicho pode ser tratado com medicamentos, inclusive antibióticos.

Dono ausente
Equipamentos deixam o aquário programado por até 15 dias. Para isso, existem pastilhas de comida e alimentadores automáticos, que soltam uma quantidade pré-determinada de ração diariamente. O sistema de controle de temperatura e de filtros também pode ser programado com antecedência.

Limpeza
Nada de trocar toda a água, limpar as pedras, os vidros e os filtros. Isso quebra o ciclo equilibrado do miniecossistema. Só deve ser feito quando o tanque for desmontado ou trocado de lugar. O ideal é fazer trocas periódicas de parte da água. Dá para trocar 5% do total uma vez por semana.

Novo lar
Se o peixinho novo for solto bruscamente na água, o choque pode matá-lo. O ideal é que os pHs do saquinho e do tanque estejam próximos. Para que as temperaturas se igualem, o saquinho deve ser colocado fechado dentro do aquário. Em seguida, deve ser aberto para que entre um pouco da água do tanque. Aí, sim, o peixe pode ser colocado. Esse processo deve levar cerca de 20 minutos.

Superpopulação
É comum achar que sempre cabe mais um no aquário. Para a superpopulação, não conta só o excesso de animais, mas também toda matéria viva, como plantas e corais. Aquário lotado não oferece espaço para os seus habitantes se moverem, respirarem e se alimentarem, o que pode levar à proliferação de bactérias, a doenças e a mortes. A conta é a seguinte: cada centímetro de peixe precisa de um litro de água. Lembre-se que peixe pequeno pode crescer.

Temperatura
Embora os peixes sejam animais pecilotérmicos --de sangue frio e temperatura variável--, no inverno, as espécies de água doce precisarão de aquecimento para que a água atinja 27ºC. Há no mercado aquecedores com termostatos, que são mais seguros. Aquário marinho com corais vivos precisa de um sistema de ventilação ou refrigeração.

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Onde saber mais
Marcelo Kazuo Moki, aquarista, da Ecomarine, tel. 5093-6512 (www.ecomarine.com.br) e Ricardo Cardoso, oceanógrafo do Aquário de São Paulo, tel. 2273-5500 (www.aquariodesaopaulo.com.br)

Espécies proibidas
Aruanás (água doce)
Cascudo-zebra (água doce)
Gramma (marinho)
Lagostas filtradoras (água doce)
Lagostim-vermelho (água doce)
Neon goby (marinho)
Peixes anuais ou killifishes (água doce)
Raias (água doce e marinha)

Fonte: Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)

 

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