Usada por guerreiros até o século 19, raça akita é monumento no Japão
FLÁVIA GIANINI
da Revista da Folha
O Japão reconhece esse belo cão como representante histórico da sua cultura há tempos. Não é difícil entender o motivo. De físico imponente e silencioso como poucos, ele não late à toa. É, incondicionalmente, fiel ao dono. Exige pouca atenção, tem personalidade independente e sempre respeita o ambiente, apesar de agir por sua própria vontade.
O cão surgiu na província de Akita (daí o nome), região norte do Japão. Sua importância é tanta que lá ele é considerado monumento nacional.
| Rodrigo Marcondes/Folha Imagem |
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| Usada pelos guerreiros até o século 19, akita é monumento nacional no Japão; raça é representante histórica da cultura japonesa |
Até meados do século 19, o akita era de posse exclusiva de samurais. Talvez por isso, ele seja considerado pelos japoneses um amuleto de sorte. "Quando nasce uma criança, a família recebe uma estatueta de akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa", conta Anita Soares, presidente do CPA (Clube Paulista do Akita). "E os doentes recebem o bicho para se recuperar."
Toda a aura mágica em torno do animal encontra eco na história. Os primeiros registros sobre o cão datam de 500 d.C. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo japonês mandou recolher todos os cães, exceto pastor alemão. O objetivo era fornecer pele para as tropas e aumentar o estoque de comida.
Para tentar enganar os militares, criadores japoneses cruzavam o akita inu com pastores. Quando o conflito acabou, a raça havia sido dizimada. Os poucos exemplares restantes apresentavam características distintas. Um novo processo de restauração foi iniciado. Os akitas mestiços, que exibiam nítida influência do pastor alemão, conquistaram os soldados americanos. Assim o akita foi separado em duas linhagens: a inu (original japonês) e a americana.
Morte por tristeza
A raça chegou ao Brasil em 1970, quando o imigrante Eiji Tysuruga trouxe o primeiro casal: Kunitomo-Go e Kumone-Go. Segundo o CBA, existem 400 exemplares registrados no Estado de São Paulo. Dez anos atrás, eram 2.105. Anita diz que a raça tem particularidades que exigem atenção do criador. "Ela sofre muito a ausência prolongada do dono. Pode até morrer de tristeza."
Tanto é verdade que a indústria cinematográfica irá contar a história do akita Hachiko. Em 1924, o professor Eisaburo Ueno, da Universidade de Tóquio, ganhou um exemplar. Todos os dias, o bicho o acompanhava até uma estação de trem, a caminho do trabalho, e retornava às 15h, para fazer o percurso inverso.
Em 21 de maio de 25, o professor não voltou. Sofreu um derrame na universidade. Hachiko, então com menos de dois anos, esperou pelo dono até a madrugada. Em vão.
Como o animal ficou sozinho, parentes e amigos do professor passaram a cuidar dele. Incansável, ia à estação todos os dias, de manhã e à tarde, na mesma hora. Repetiu o gesto por quase dez anos.
Em março de 35, o akita morreu. Ele tinha 11 anos. Sua história ganhou repercussão tamanha que o cão, de cor branca, virou estátua em estações e está empalhado num museu de Tóquio. Hachiko foi encontrado morto no mesmo lugar onde, por anos a fio, esperou pacientemente o dono.
Raio-x da raça
Nome: akita inu (original japonês) ou akita americano (de padrão americano)
Altura: de 64 cm a 70 cm (machos inu), de 66 cm a 72 cm (padrão americano); de 58 cm a 64 cm (fêmeas inu) e de 60 cm a 66 cm (fêmeas americanas)
Comportamento: decidido, reservado, dócil e receptivo; dominador com outros cães
Cores: vermelho-fulvo, sésamo, tigrado e branco
Cuidados: escovação do pêlo
Expectativa de vida: 12 anos
Doenças mais comuns: adenite sebácea (inflamação das glândulas sebáceas) e síndrome uveodermatológica (alteração ocular que pode causar cegueira)
Pelagem: dura e reta; o subpêlo é macio e denso Personalidade: fiel e dedicado ao dono, mas independente
Peso: de 35 kg a 40 kg
Utilização: como companhia, com aptidão para guarda e para caça
Fontes: Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), Clube Paulista do Akita (CPA) e Clube Brasileiro do Akita Americano (CBAA)
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