Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
14/10/2008 - 19h36

Abrigos cuidam de animais abandonados em São Paulo

Publicidade

FLAVIA GIANINI
da Revista da Folha

Abandonada pelo próprio dono em plena marginal Pinheiros, em meio ao fluxo intenso de carros, ela sobreviveu. A cadela SRD Pretinha saiu do episódio traumático apenas com a pata traseira machucada, ao tentar desesperadamente alcançar o homem que soltou a sua coleira. "Já vi uns três atropelados aqui", conta o guardador de carros José Antônio Santos, 38, que presenciou a cena, ocorrida na altura da av. Engenheiro Luís Carlos Berrini.

A vítima daquele dia foi levada para um estacionamento próximo, onde foi cuidada. Duas semanas depois, deu à luz sete filhotes. Apesar de o abandono ser um crime previsto na lei --punido com detenção de três meses a um ano e multa--, cães e gatos são largados à própria sorte em parques, praças, ruas e até avenidas da capital, especialmente fêmeas grávidas e animais doentes.

Rodrigo Marcondes/Folha Imagem
Cadela SRD (sem raça definida) Pretinha olha para a câmera enquanto amamenta seus sete filhotes, que esperam pela adoção
Cadela SRD (sem raça definida) Pretinha olha para a câmera enquanto amamenta seus sete filhotes, que esperam pela adoção

"No momento em que eles mais precisam de cuidado, são abandonados pela pessoa em quem depositaram confiança", resume o presidente da ONG Arca Brasil, Marco Ciampi.

Segundo entidades que recebem e doam esses animais, a principal justificativa para o abandono é a falta de recurso, principalmente quando a prole vai crescer. Tem gente que liga para a ONG pedindo que busquem o animal de estimação, quando não o quer mais. "Explicamos que esse tipo de serviço não existe", relata a presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), Vanice Orlandi.

Ter um bicho de estimação exige planejamento e responsabilidade. "Manter custa caro e demanda cuidados diários. Caso não seja esterilizada, a fêmea pode se reproduzir até duas vezes por ano", explica Vanice.

Pobre pet rico

Entre os rejeitados não estão somente vira-latas e animais de cruzamento indesejado. No abrigo da Uipa, 30% dos animais recolhidos são de raça. "Há abandono de animais que foram comprados a preço de ouro", garante a presidente. Nesse caso, sobram outras justificativas: falta de tempo, mudança de emprego, de casa, gravidez, divórcio e morte do cuidador principal.

A irresponsabilidade fica ainda mais clara durante férias e festas de fim de ano. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), nesses períodos aumenta consideravelmente o número de pedidos para recolher animais nas ruas. "Os bichos ainda são vistos como objetos. São comprados por impulso, ou dados como presentes, e as pessoas acreditam que eles podem ser descartados quando surge um problema", explica o gerente do CCZ, Marco Antônio Vigilato.

A realidade de abandono de animais domésticos só não é pior graças às centenas de ONGs que mantêm abrigos e são responsáveis pelo maior número de castrações e adoções. A Uipa esteriliza cerca de 1.500 animais/ano e viabiliza a adoção de até 1.200. Entretanto, os protetores reconhecem que os abrigos não são locais adequados para manter animais domésticos. "Eles criam laços e precisam de carinho", afirma Ciampi. "Ao serem abandonados, sofrem muito, apesar da capacidade de se adaptar a novos lares."

É o caso da cadela Pretinha. Ela foi adotada pela dona do estacionamento, Maria Silveira, que já acolheu outras duas fêmeas grávidas, rejeitadas nas mesmas condições. O abandono afetou o comportamento de todas. "A Caxuxa tinha, no início, um temperamento arredio com desconhecidos. Já Pretinha deu algumas demonstrações de carência. Corria atrás de qualquer pessoa do sexo masculino, como se procurasse o ex-dono", diz.

Sem conseguir bons "pais" para todos os filhotes que nascem sob seus cuidados, Maria construiu dois canis nos 800 m2 do estacionamento. Conta com a ajuda dos seus funcionários para cuidar dos animais. Com a nova ninhada, o local tem agora 13 cães e está saturado. Mas ela espera encontrar abrigo para os filhotinhos. Os interessados vão levar um filhote castrado, vacinado e vermifugado, como manda o figurino. Maria toma as providências e fica na torcida. "Quero que os bebês tenham donos amorosos e conscientes."

 

Publicidade

As Últimas que Você não Leu

  1.  

Publicidade

Livraria da Folha

Chile e Ilha de Páscoa

Chile e Ilha de Páscoa

Anja Mutic, Bridget Gleeson, Carolyn McCarthy, Jean-Bernard Carillet, Kevin Raub

Comprar
Não se Desespere!

Não se Desespere!

Mário Sérgio Cortella

Comprar
Procuram-se Super-heróis

Procuram-se Super-heróis

Eduardo Moreira

Comprar
Genesis

Genesis

Sebastião Salgado

Comprar

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

TV LED TV LED HDMI, Full HD a partir de R$ 899,90

Geladeira Geladeira Side By Side, Duplex, Frost Free a partir de R$ 849,00

Home Theater | Tênis | Mais...

Voltar ao topo da página