Cidade japonesa defende caça a golfinhos mostrada em documentário
HYUN OH
da Reuters, em Tóquio
Moradores de uma cidade japonesa saíram na quarta-feira em defesa da caça aos golfinhos, tema de um documentário norte-americano exibido numa concorrida sessão num festival de Tóquio.
Arrependido, treinador de "Flipper" faz filme sobre caça a golfinhos
"The Cove" ("A Enseada"), lançado em julho nos Estados Unidos, acompanha o trabalho de um grupo de ativistas, entre eles Ric O'Barry, que treinou golfinhos para a série de TV "Flipper".
| Divulgação |
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| Premiado em festivais internacionais, documentário "The Cove" expõe a caça indiscriminada a golfinhos no litoral do Japão |
Eles enfrentam policiais e pescadores japoneses para terem acesso a uma cova oculta em Taiji, no sul do Japão, onde um arame farpado impede que as pessoas filmem a morte dos golfinhos caçados, que ocorre anualmente a partir de setembro.
O prefeito de Taiji, Kazuzaka Sangen, esteve entre as mais de 150 pessoas que viram o filme no Festival Internacional de Tóquio, e se disse cético sobre a possibilidade de que o documentário altere a longa tradição de caça aos golfinhos na sua cidade.
"Somos assim há muito tempo, e embora eu não saiba por que o pessoal do filme veio à nossa cidade, ninguém se assustará com isso", afirmou ele à Reuters.
O documentário mostra os pescadores atraindo milhares de golfinhos para a cova, onde, segundo ativistas, eles são capturados para serem levados a parques aquáticos ou são abatidos para servirem de alimento.
Os pescadores de Taiji dizem que é preciso abater golfinhos regularmente para preservar a pesca na região.
Alguns moradores de Taiji que viram o filme se sentiram mal representados. "É verdade que os golfinhos estão sendo mortos no mar japonês, mas espero que as pessoas do mundo todo também saibam que há muita gente que cuida dos golfinhos todos os dias", disse Gou Mihashi, 37 anos, treinador de golfinhos em Taiji.
Grupos ambientalistas há anos criticam a caça a golfinhos e baleias no Japão, mas o governo defende a prática, alegando se tratar de uma tradição cultural, que não difere do abate de outros animais.
O diretor do filme, Louie Psihoyos, disse que fez questão de mostrá-lo a espectadores japoneses. "Senti que era realmente importante levar o filme para lá, não ficar a salvo na América, e sim arriscar tudo para vir aqui mostrar o filme aos japoneses. Realmente sinto que (...) se o filme for visto no Japão, será uma grande vitória para os japoneses e uma grande vitória para os movimentos dos golfinhos e dos ambientalistas."
A universitária Mari Shigehisa, de 21 anos, se disse chocada com o filme, especialmente "pela última cena, onde os golfinhos eram cortados e mortos num mar de sangue." "Acho que a maioria dos japoneses não sabia sobre isso."
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