22/07/2001
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09h56
da Folha de S.Paulo
Na tentativa de reduzir os altos índices de rejeição, que lhe custaram as duas últimas eleições, Paulo Maluf (PPB) vai concentrar sua próxima campanha de TV no eleitorado jovem.
A estratégia já está desenhada. Na TV, Maluf pretende investir nos eleitores de 16 a 24 anos, faixa em que seus índices de intenção de voto são relativamente mais baixos -mas também onde a rejeição pode cair mais acentuadamente, na avaliação pepebista.
"Os eleitores jovens rejeitam Maluf mais por desinformação, o que torna mais concreta a possibilidade de serem conquistados. Eles só foram expostos a uma versão, a das falsas denúncias e escândalos. Não conhecem as realizações de Maluf à frente do governo estadual (1979-82)", diz o presidente do PPB-SP, Jesse Ribeiro.
Entre as acusações a que se refere Ribeiro está a de que Maluf possui US$ 200 milhões em contas no paraíso fiscal de Jersey (território autônomo pertencente ao Reino Unido).
Uma estimativa feita com base em dados do Tribunal Regional Eleitoral do ano passado mostra que a parcela do eleitorado que tem menos de 25 anos não é nada desprezível. O segmento compõe 18,95% do eleitorado paulista, o que resulta na cifra de 4,6 milhões de eleitores. Mas nessa faixa Maluf patina.
De acordo com a última pesquisa de intenção de voto para governador, feita pelo Datafolha há um mês, o ex-prefeito, que chega a atingir 27% contra 19% de Geraldo Alckmin (PSDB) no total da população, fica numericamente atrás do tucano no eleitorado de 16 a 24 anos. Maluf consegue no máximo 26% nesse segmento, contra 27% do atual governador, situação de empate técnico.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado não escolhe a partir de uma lista predeterminada de nomes, a situação se repete. Maluf, que obtém 12% no total da população, consegue somente 8% na faixa do eleitorado menor de 25 anos. Em comparação, tem 15% entre os entrevistados de mais de 60 anos.
A conclusão a que chegaram os malufistas é óbvia: o eleitorado do pepebista está envelhecendo. "Faz 20 anos que Maluf deixou o governo, e os mais jovens não acompanharam suas realizações à frente do Estado. É preciso informá-los, para estabelecer uma diferença entre a administração dele e a de Alckmin", diz o marqueteiro de Maluf, José Maria Braga.
As inserções de um minuto na programação que estrearam na semana passada já dão o tom do que será a campanha de TV do pepebista no ano que vem.
No vídeo, uma atriz de 25 anos, falando diretamente para os jovens, disserta sobre o governo do candidato: "No tempo do Maluf, não existia o apagão nem o desemprego. Não tinha essa violência que tomou conta do nosso Estado nem esse número absurdo de pedágios nas estradas".
Em seguida, declara que Maluf criou empregos para os jovens, "sempre preocupado com o nosso futuro". E arremata, dizendo que o ex-governador iniciou as últimas cinco hidrelétricas de São Paulo, sem as quais "o apagão já teria chegado há muito tempo".
"Maluf tem um histórico de realizações em duas áreas que interessam diretamente ao jovem: a geração de empregos e a segurança. Isso precisa ser reforçado", afirma Braga.
Além da estratégia de comunicação, o partido está tomando outras atitudes. Entre elas, a de promover uma campanha de filiação entre a juventude e a reativação da Juventude Progressista, movimento de jovens malufistas. No momento, Maluf conta com uma estrutura modesta de campanha na TV, que deverá crescer bastante à medida que se aproximar a campanha do ano que vem.
O publicitário do pepebista calcula que poderá haver 150 pessoas envolvidas na produção do programa eleitoral de 2002.
Na TV, Maluf quer seduzir eleitor jovem
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FÁBIO ZANINIda Folha de S.Paulo
Na tentativa de reduzir os altos índices de rejeição, que lhe custaram as duas últimas eleições, Paulo Maluf (PPB) vai concentrar sua próxima campanha de TV no eleitorado jovem.
A estratégia já está desenhada. Na TV, Maluf pretende investir nos eleitores de 16 a 24 anos, faixa em que seus índices de intenção de voto são relativamente mais baixos -mas também onde a rejeição pode cair mais acentuadamente, na avaliação pepebista.
"Os eleitores jovens rejeitam Maluf mais por desinformação, o que torna mais concreta a possibilidade de serem conquistados. Eles só foram expostos a uma versão, a das falsas denúncias e escândalos. Não conhecem as realizações de Maluf à frente do governo estadual (1979-82)", diz o presidente do PPB-SP, Jesse Ribeiro.
Entre as acusações a que se refere Ribeiro está a de que Maluf possui US$ 200 milhões em contas no paraíso fiscal de Jersey (território autônomo pertencente ao Reino Unido).
Uma estimativa feita com base em dados do Tribunal Regional Eleitoral do ano passado mostra que a parcela do eleitorado que tem menos de 25 anos não é nada desprezível. O segmento compõe 18,95% do eleitorado paulista, o que resulta na cifra de 4,6 milhões de eleitores. Mas nessa faixa Maluf patina.
De acordo com a última pesquisa de intenção de voto para governador, feita pelo Datafolha há um mês, o ex-prefeito, que chega a atingir 27% contra 19% de Geraldo Alckmin (PSDB) no total da população, fica numericamente atrás do tucano no eleitorado de 16 a 24 anos. Maluf consegue no máximo 26% nesse segmento, contra 27% do atual governador, situação de empate técnico.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado não escolhe a partir de uma lista predeterminada de nomes, a situação se repete. Maluf, que obtém 12% no total da população, consegue somente 8% na faixa do eleitorado menor de 25 anos. Em comparação, tem 15% entre os entrevistados de mais de 60 anos.
A conclusão a que chegaram os malufistas é óbvia: o eleitorado do pepebista está envelhecendo. "Faz 20 anos que Maluf deixou o governo, e os mais jovens não acompanharam suas realizações à frente do Estado. É preciso informá-los, para estabelecer uma diferença entre a administração dele e a de Alckmin", diz o marqueteiro de Maluf, José Maria Braga.
As inserções de um minuto na programação que estrearam na semana passada já dão o tom do que será a campanha de TV do pepebista no ano que vem.
No vídeo, uma atriz de 25 anos, falando diretamente para os jovens, disserta sobre o governo do candidato: "No tempo do Maluf, não existia o apagão nem o desemprego. Não tinha essa violência que tomou conta do nosso Estado nem esse número absurdo de pedágios nas estradas".
Em seguida, declara que Maluf criou empregos para os jovens, "sempre preocupado com o nosso futuro". E arremata, dizendo que o ex-governador iniciou as últimas cinco hidrelétricas de São Paulo, sem as quais "o apagão já teria chegado há muito tempo".
"Maluf tem um histórico de realizações em duas áreas que interessam diretamente ao jovem: a geração de empregos e a segurança. Isso precisa ser reforçado", afirma Braga.
Além da estratégia de comunicação, o partido está tomando outras atitudes. Entre elas, a de promover uma campanha de filiação entre a juventude e a reativação da Juventude Progressista, movimento de jovens malufistas. No momento, Maluf conta com uma estrutura modesta de campanha na TV, que deverá crescer bastante à medida que se aproximar a campanha do ano que vem.
O publicitário do pepebista calcula que poderá haver 150 pessoas envolvidas na produção do programa eleitoral de 2002.

