19/02/2002
-
06h55
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Velloso concedeu novo prazo de 60 dias para que a Polícia Federal possa aprofundar as investigações sobre o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) com o objetivo de esclarecer a responsabilidade dele na venda de TDAs (Títulos da Dívida Agrária) emitidos de forma fraudulenta e em desvios do Banpará (Banco do Estado do Pará).
Relator desses dois inquéritos sobre Jader, Velloso autorizou a prorrogação no início de fevereiro. Nas duas investigações, a PF cruza dados sobre a movimentação bancária dos envolvidos e analisa documentos recolhidos em apurações anteriores.
Em agosto de 2001, Velloso decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Jader no caso dos TDAs e a quebra do sigilo bancário na apuração sobre o Banpará. Em seguida, recebeu os ofícios dos bancos com as informações e os encaminhou para a PF.
No inquérito dos TDAs, a PF está examinando os dados bancários do período entre outubro de 1988 e maio de 1989, quando Jader era ministro da Reforma Agrária.
No caso Banpará, a PF analisa informações sobre a movimentação do ex-senador e de pessoas e empresas ligadas a ele, do período entre janeiro de 1984 e junho de 1990, que cobre integralmente a sua gestão no governo do Pará.
Nos dois inquéritos, há suspeita de envolvimento da ex-mulher de Jader, a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA). Na apuração sobre o Banpará, ela também teve o sigilo bancário quebrado. Como só o STF pode processar deputados e senadores acusados de crime, a suspeita de envolvimento da deputada nos dois casos preservou as apurações no STF mesmo após a renúncia de Jader.
Com base nas conclusões da investigação policial, caberá ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, indicar se há ou não indícios suficientes da participação de Elcione Barbalho ou outro congressista. Se houver, o processo será aberto no STF.
Novas agências
Na semana passada, o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, divulgou os decretos que regulamentam a ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia) e a Adene (Agência de Desenvolvimento do Nordestes), que vão substituir a Sudam e a Sudene. A substituição, porém, não garante uma estrutura livre das antigas irregularidades.
O principal motivo é que essas irregularidades ocorreram nas fases de aprovação e fiscalização dos projetos, e com a criação das duas agências os procedimentos para aprovação e fiscalização não devem mudar muito. O próprio Suassuna afirmou que o fim das irregularidades depende de uma fiscalização permanente: "As agências são herméticas à corrupção, mas o ser humano é danado".
A diferença entre as superintendências e as agências é a mudança na origem dos recursos dos fundos vinculados. Em vez de resultarem de benefícios fiscais, eles serão definidos no Orçamento. Mas as denúncias que levaram à extinção das duas superintendências eram de mau uso do dinheiro.
Leia mais:
Justiça do TO vai processar Jader e mais 10 acusados
Jader diz que ACM vai tentar matá-lo; ACM chama Jader de ladrão
Veja também o especial Jader Barbalho
STF amplia prazo para PF investigar Jader
Publicidade
da Folha de S.Paulo, em BrasíliaO ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Velloso concedeu novo prazo de 60 dias para que a Polícia Federal possa aprofundar as investigações sobre o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) com o objetivo de esclarecer a responsabilidade dele na venda de TDAs (Títulos da Dívida Agrária) emitidos de forma fraudulenta e em desvios do Banpará (Banco do Estado do Pará).
Relator desses dois inquéritos sobre Jader, Velloso autorizou a prorrogação no início de fevereiro. Nas duas investigações, a PF cruza dados sobre a movimentação bancária dos envolvidos e analisa documentos recolhidos em apurações anteriores.
Em agosto de 2001, Velloso decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Jader no caso dos TDAs e a quebra do sigilo bancário na apuração sobre o Banpará. Em seguida, recebeu os ofícios dos bancos com as informações e os encaminhou para a PF.
No inquérito dos TDAs, a PF está examinando os dados bancários do período entre outubro de 1988 e maio de 1989, quando Jader era ministro da Reforma Agrária.
No caso Banpará, a PF analisa informações sobre a movimentação do ex-senador e de pessoas e empresas ligadas a ele, do período entre janeiro de 1984 e junho de 1990, que cobre integralmente a sua gestão no governo do Pará.
Nos dois inquéritos, há suspeita de envolvimento da ex-mulher de Jader, a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA). Na apuração sobre o Banpará, ela também teve o sigilo bancário quebrado. Como só o STF pode processar deputados e senadores acusados de crime, a suspeita de envolvimento da deputada nos dois casos preservou as apurações no STF mesmo após a renúncia de Jader.
Com base nas conclusões da investigação policial, caberá ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, indicar se há ou não indícios suficientes da participação de Elcione Barbalho ou outro congressista. Se houver, o processo será aberto no STF.
Novas agências
Na semana passada, o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, divulgou os decretos que regulamentam a ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia) e a Adene (Agência de Desenvolvimento do Nordestes), que vão substituir a Sudam e a Sudene. A substituição, porém, não garante uma estrutura livre das antigas irregularidades.
O principal motivo é que essas irregularidades ocorreram nas fases de aprovação e fiscalização dos projetos, e com a criação das duas agências os procedimentos para aprovação e fiscalização não devem mudar muito. O próprio Suassuna afirmou que o fim das irregularidades depende de uma fiscalização permanente: "As agências são herméticas à corrupção, mas o ser humano é danado".
A diferença entre as superintendências e as agências é a mudança na origem dos recursos dos fundos vinculados. Em vez de resultarem de benefícios fiscais, eles serão definidos no Orçamento. Mas as denúncias que levaram à extinção das duas superintendências eram de mau uso do dinheiro.
Leia mais:
Veja também o especial Jader Barbalho


