Presidente do PSDB diz que são graves as denúncias contra Renan
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), considerou hoje "grave" a denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mas disse que só vai se manifestar sobre o teor das acusações contra o peemedebista depois de ouvir sua defesa na tribuna da Casa.
"Só posso fazer julgamento depois de ouvir o pronunciamento. Ele disse que tinha razão e não fez nada de errado", afirmou numa referência às acusações de que Renan teria recebido dinheiro de um lobista ligado à construtora Mendes Júnior para pagar suas contas pessoais.
À tarde, Renan promete fazer um discurso em plenário quando pretende se defender das denúncias. Segundo sua assessoria, ele apresentará comprovações de que pagou as contas pessoais --supostamente pagas pelo lobista.
Ao participar do seminário "O PSDB e os Novos Desafios do Brasil" --reunião preparatória para o 3º Congresso do partido, marcado para setembro--, Tasso saiu em defesa do governador Teotônio Vilela Filho (Alagoas) que teve o nome citado na Operação Navalha da Polícia Federal.
"O governador Teotônio tem a confiança do PSDB. Queremos ver tudo apurado, como o próprio governador quer ver. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos", disse.
Gravações telefônicas realizadas pela PF envolvendo os funcionários do governo Enéas de Alencastro (chefe da representação de Alagoas em Brasília) e Denisson Tenório (subsecretário da Infra-Estrutura), presos na Operação Navalha, indicam que Teotônio teria ordenado que uma obra de alças rodoviárias fosse entregue à Gautama, segundo interpretação da PF.
O governador nega qualquer envolvimento com as supostas fraudes promovidas pela empresa Gautama em licitações públicas. Ele admite que se encontrou com o dono da Gautama, Zuleido Veras, há cerca de 40 dias --quando o empreiteiro teria sugerido a inclusão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da obra de construção do anel viário de Maceió.
Teotônio afirmou que não autorizou seus auxiliares a liberar verbas para a empresa, como apontam as investigações da PF.
À tarde Teotônio e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, são esperados para o seminário. Ambos devem discursar. Depois deles, será a vez do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também fazer seu discurso.
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