Caso Renan esvazia depoimentos de controladores à CPI no Senado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
As denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), esvaziaram hoje na CPI do Apagão Aéreo da Casa o esperado depoimento dos controladores de vôo que trabalhavam no dia do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy --que resultou na morte de 154 pessoas no ano passado.
Apenas o presidente da CPI, senador Tião Viana (PT-AC), e o relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acompanhados pelo senador Mário Couto (PSDB-PA), abriram a reunião que vai colher os depoimentos dos seis controladores que trabalhavam no dia do acidente em Brasília (DF), Manaus (AM) e São José dos Campos (SP).
Os controladores pediram à comissão que o depoimento fosse secreto. Mas o regimento do Senado só permite depoimentos sigilosos à CPI se o pedido for aprovado pelo plenário da comissão. Diante do esvaziamento da CPI, não houve quorum para votar o pedido dos controladores.
"Não temos número suficiente para deliberar a solicitação dos advogados dos controladores", explicou Viana.
Como respondem a inquérito na Justiça por co-responsabilidade no acidente com o Boeing da Gol, os controladores têm o direito de permanecerem calados durante os depoimentos. A CPI vai ouvir em bloco, primeiramente, os sargentos Jomarcelo Fernandes do Santos, Lucivando de Tibúrcio Alencar e Leandro José dos Santos Barros --que trabalhavam em Brasília no dia do acidente --além do sargento Francisco Roberto Agostinho Freire, de Manaus.
Em seguida, a comissão vai colher os depoimentos dos sargentos Antônio Francisco Costa de Castro e Alexandre Xavier Barroca, supervisores dos controladores de vôo. O último depoimento à CPI nesta segunda-feira será do coronel aviador Eduardo dos Santos Paulino, comandante do Cindacta-1, em Brasília.
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