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Brasil
30/05/2007 - 13h48

Renan entrega documentos à Corregedoria e admite falta de recibos, diz advogado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O advogado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Ferrão, entregou hoje ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), documentos que comprovariam a origem do dinheiro utilizada pelo seu cliente para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem Renan tem uma filha.

Ele é acusado de envolvimento com o lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior, que arcaria com o pagamento dessas despesas pessoais do senador, segundo reportagem da revista "Veja" do último fim de semana.

O senador apresentou sua defesa ao Senado, mas não mostrou todos os documentos que comprovariam os pagamentos e a origem dos recursos.

Segundo o advogado, "absolutamente todos os pagamentos efetuados pelo senador" saíram de suas próprias contas.

Os novos documentos apresentados hoje não comprovam, no entanto, se a jornalista teria efetivamente recebido o dinheiro. "Não há recibo. Mas numa análise conjunta pode se concluir [que ela recebeu o dinheiro]", disse.

Na opinião do advogado, Renan não precisa provar que a jornalista recebeu os recursos já que a denúncia da revista "Veja" parte do princípio de que ela recebia a ajuda do senador.

Ferrão encaminhou a Tuma cópias de extratos bancários e do Imposto de Renda do senador que, segundo ele, comprovam os saques de R$ 8.000 nas contas de Renan --valor que o senador pagava como pensão à jornalista antes de dezembro 2005.

Segundo o advogado, os documentos também comprovam o pagamento de um fundo de R$ 100 mil à filha do senador com Mônica Veloso para "despesas futuras", assim como comprovam que Renan pagou aluguel de um apartamento da jornalista.

Os documentos apresentados por Renan na segunda-feira, quando fez sua defesa no plenário do Senado, não comprovam a origem dos recursos antes de dezembro de 2005. Renan conseguiu demonstrar apenas o pagamento de pensão a partir de fevereiro de 2006 --quando passou a descontar pensão de R$ 3.000 de seu próprio contracheque.

A ausência dos documentos levantou dúvidas sobre a origem de parte dos recursos, já que Renan é acusado de ter utilizado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento das despesas com a jornalista.

Ajuda

O advogado reconheceu que Renan pagava os R$ 8.000 como "colaboração" à jornalista, já que antes de dezembro de 2005 não havia reconhecido a paternidade da filha com Mônica. "Até então não era pensão alimentícia. Era ajuda a uma pessoa com quem ele tinha se relacionado."

Apesar de encaminhar os documentos à corregedoria, o advogado disse que vai mantê-los sob sigilo. "Não podemos exibir os extratos em função das limitações judiciais, já que o processo [de pensão alimentícia] tramitam em sigilo. Nos extratos aparecem terceiros que podem ter suas vidas devassadas se isso for revelado."

Sigilo

O corregedor do Senado disse que vai manter o sigilo sobre os documentos, já que o processo tramita em segredo de Justiça Tuma adiantou, no entanto, que vai encaminhar os extratos e cópias do Imposto de Renda aos demais senadores para que tenham acesso a todos os detalhes do processo.

"Todos os senadores terão acesso. Vou decretar sigilo com base na decisão do juiz, mas não posso guardar comigo. Eles [senadores] provavelmente seguirão [o sigilo]", disse Tuma

 

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