Brasil
30/05/2007 - 15h28

Governador do MA nega ter recebido propina e coloca seus sigilos à disposição

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Ao prestar depoimento nesta quarta-feira à ministra Eliana Calmon, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), negou o recebimento de R$ 240 mil por meio de dois sobrinhos, presos durante a Operação Navalha, da Polícia Federal.

Lago disse colocar todos os órgãos do Estado para a apuração das denúncias e demonstrou decepção com as acusações envolvendo seus familiares.

Por meio de seus sobrinhos, Alexandre de Maia Lago e Francisco de Paula Lima Júnior, o governador teria recebido R$ 240 mil para permitir o pagamento, pela Secretaria de Infra-Estrutura do Estado, de R$ 2,9 milhões de uma obra da Gautama, apontada como cabeça do esquema de fraudes em licitações para a realização de obras públicas.

"Estou triste com tudo isso", afirmou o governador, ao deixar o STJ. "Eu tenho uma vida honrada e limpa. Meu patrimônio é um apartamento e uma camionete que eu pago em 36 meses. Exijo que examinem a minha vida", reiterou.

O advogado do governador, José Eduardo Alckmin, informou que os sigilos do governador estão à disposição da Justiça.

Irregularidades

Lago disse que há evidências de irregularidades nas licitações investigadas pela PF, mas não detalhou quais seriam elas. Em relação aos sobrinhos, as denúncias lhe causam um sentimento "profundamente lamentável".

Alckmin demonstrou que as acusações envolvendo seu cliente podem ter uma "conotação política", mas não detalhou as razões que levariam a esta suposta perseguição. "Há de se considerar esta hipótese", disse o advogado.

De acordo com Alckmin, o governador não recebeu valor algum, nem tem relações profissionais com os sobrinhos. O advogado afirmou que os sobrinhos do governador não são servidores do Estado do Maranhão: "Nem formal nem informalmente".

O advogado esclareceu ainda que a divulgação de que o governador teria tido o pedido de prisão expedido foi um equívoco.

Representação

De acordo com a assessoria jurídica do governador, foi encaminhada uma representação ao Ministério da Justiça contra uma ação específica da Polícia Federal.

No dia 21 de março, a PF teria registrado em vídeo e divulgado que Lago esteve em Brasília, mas teria supostamente não oficializado sua passagem.

No entanto, o advogado afirmou que tudo estava registrado pelo hotel e, inclusive, o governador teria mantido uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Queremos apurar as responsabilidades sobre o caso", disse Alckmin.

 

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