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Brasil
31/05/2007 - 12h38

Corregedor do Senado diz não ter a intenção de condenar Renan

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), admitiu hoje que não tem a intenção de condenar o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele é acusado de envolvimento com o lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior, que arcaria com o pagamento pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso --com quem Renan tem uma filha.

"Eu não quero condená-lo, quero absolvê-lo. Mas quero ter certeza que ele não vai ser pego na primeira esquina. Se ele deve, não posso fazer nada", disse Tuma.

No entanto, ele fez questão de afirmar durante várias vezes que não estava "blindando" Renan.

Para Tuma, a documentação entregue por Renan com sua movimentação financeira é favorável ao senador.

Segundo o corregedor, os novos documentos encaminhados por Renan permitem concluir que o senador tinha condições de pagar pensão de R$ 8.000 à jornalista Mônica Veloso.

"Os documentos dão base para perceber que ele podia pagar as despesas com seus próprios recursos. Você vê nos extratos bancários e nas declarações de Imposto de Renda que ele tem dinheiro para pagar."

O corregedor disse que, nos documentos, estão extratos bancários de Renan e cópias de sua declaração de Imposto de Renda. Também há um recibo assinado pela jornalista e seu advogado do pagamento de R$ 100 mil para um fundo de auxílio à filha do senador.

Entre os documentos não há recibos do pagamento de aluguel de um apartamento à jornalista, como alega Renan. O corregedor disse, no entanto, que pelos extratos bancários é possível constatar que o presidente do Senado tinha recursos suficientes para cobrir o pagamento do aluguel.

Renan conseguiu comprovar o pagamento da pensão a Mônica Veloso a partir de fevereiro de 2006, quando passou a descontar R$ 3.000 de seu contracheque para a jornalista. Antes desse período, o senador disse que pagava informalmente a pensão de R$ 8.000 --e alega que o valor está comprovado na nova parte da documentação encaminhada à Corregedoria do Senado.

Autenticidade

Tuma disse estar convencido da autenticidade dos documentos apresentados por Renan apesar do advogado de Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, ter afirmado que sua cliente não assinou recibo do pagamento do fundo. O senador reconheceu não ser capaz de comprovar que os documentos são legítimos.

"Ele não encaminharia um documento que não fosse legítimo. Mas não dá para concluir a autenticidade. Eu não tenho razão para suspeitar que os extratos sejam falsos", disse.

Segundo o corregedor, ainda há duas lacunas para serem explicadas nas denúncias contra Renan. A primeira delas, se efetivamente o dinheiro sacado pelo senador era recebido pela jornalista. E a segunda, qual era o papel do lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, apontado pela revista "Veja" como responsável por efetuar parte dos pagamentos à Renan.

Tuma vai disponibilizar os documentos entregues por Renan aos membros do Conselho de Ética. Mas disse que vai pedir aos senadores que assinem um termo de compromisso com a manutenção do sigilo dos documentos --uma vez que o inquérito tramita em segredo de Justiça.

 

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