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Brasil
01/06/2007 - 08h26

Atual secretário de Aécio é citado em grampo da Polícia Federal

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da Agência Folha
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governador Aécio Neves (PSDB-MG) disse hoje que "não tem nada a ver com o governo de Minas" a citação do nome de seu secretário da Fazenda, Simão Cirineu Dias, em conversas gravadas pela Polícia Federal entre dois presos na Operação Navalha.

Ex-secretário de Planejamento do Maranhão no governo de José Reinaldo Tavares (PSB), Simão é citado em conversas telefônicas entre Zuleido Veras, dono da Gautama, e Roberto Figueiredo Guimarães, consultor financeiro do governo maranhense e ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), transcritas no inquérito que investiga esquema de desvio de dinheiro público em obras envolvendo a construtora.

"Eu não tenho que comentar sobre esse assunto por uma única razão: isso não tem absolutamente nada a ver com Minas Gerais ou com o governo de Minas", disse Aécio hoje.

O governador de Minas disse também que seu secretário "chegou a Minas como um dos mais renomados técnicos da área financeira do país" e deu a entender que Cirineu não será afastado do cargo, exceto se as investigações tomarem outro rumo. "Vamos, com muita tranqüilidade, aguardar as investigações."

Segundo a investigação da PF, Simão poderia ser o contato de Guimarães com as autoridades políticas do Maranhão, pois o consultor havia sido secretário do Tesouro Nacional de março de 1990 a outubro de 1992, mesmo período em que Simão trabalhou na Secretaria da Receita Federal.

"Guimarães ocupou o cargo de secretário do Tesouro Nacional na mesma época em que Simão Cirineu trabalhou na Secretaria da Receita Federal, o que poderia justificar a influência demonstrada por Betinho [Guimarães] tanto na STN quanto junto às autoridades políticas do Estado do Maranhão", diz trecho do inquérito.

Guimarães foi preso na Operação Navalha, suspeito de ter contribuído para o pagamento de medições irregulares à Gautama em troca de vantagens.

Em carta divulgada ontem, Simão disse não ter "qualquer relacionamento com os fatos ora sob investigação pela Polícia Federal". "Não posso ser responsabilizado por licitações e pagamentos que não realizei", disse no texto.

O secretário disse também que a contratação de Guimarães como consultor do Estado ocorreu antes de sua indicação para a pasta, o que aconteceu em 2004, e que ele não teve interferência dele.

Num diálogo de agosto de 2006, Figueiredo comenta com Zuleido que Tavares "só fez o que fez porque pegou confiança em Simão e em Roberto e aí mandou fazer as coisas [obras] no Estado".

No mesmo telefonema, Zuleido diz que Simão seria "um bom homem para trabalhar com Teotonio Vilela em Alagoas". Em agosto de 2006, Teotonio Vilela Filho (PSDB), hoje governador de Alagoas, era senador e candidato ao governo.

 

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