Crítica de Chávez ao Senado brasileiro será levada ao Parlamento do Mercosul
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e integrante do Parlamento do Mercosul, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirmou nesta sexta-feira que as críticas feitas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, de que o Senado brasileiro age "como um papagaio", dificultam o ingresso da Venezuela no bloco econômico. O assunto, segundo o tucano, estará na reunião do Parlamento do Mercosul no dia 25 de junho.
"Foi uma agressão o que ele disse. Agora fica mais difícil a inclusão da Venezuela no Mercosul pois há uma demonstração de que ocorre uma escalada antidemocrática, uma vez que houve o episódio da RCTV", afirmou Azeredo, referindo-se à cassação da concessão da TV venezuelana. Na ocasião, o Senado aprovou uma moção, de autoria de Azeredo, em apelo para que Chávez revisse a atitude.
Papagaio
Ontem à noite, Chávez, em cadeia de rádio e TV, disse que o Senado age "como um papagaio" do Congresso americano e que é mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal oposicionista RCTV.
"O Congresso brasileiro está agora subordinado ao de Washington", disse Chávez. "O Congresso do Brasil deveria se preocupar com os problemas do Brasil. O Congresso é dominado pelos movimentos e partidos da direita, que estão tentando que a Venezuela não entre no Mercosul."
Chávez fez as críticas durante assinatura de acordos com uma delegação do Vietnã. Os comentários são uma resposta ao requerimento aprovado pelo Senado brasileiro apelando para que devolva a concessão ao canal, que terminou no domingo e não foi renovada.
Reações
No Congresso, as reações foram imediatas. Os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), condenaram a atitude do presidente venezuelano. Para Renan, ele age "na contramão da democracia", enquanto Chinaglia chamou a afirmação de Chávez de "desrespeitosa".
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que Chávez é um inconseqüente verbal.
"O presidente Chávez é definitivamente um inconseqüente verbal. Todos nós respeitamos a Venezuela e seu povo, agredidos pela mordaça da censura à imprensa livre. Está claro que ele não aceita e reage com inabilidade dos truculentos. Fique ele certo de que o mundo democrático continuará a vigiá-lo", afirmou.
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