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Brasil
04/06/2007 - 13h17

Renan diz que não pretende encaminhar novos documentos à Corregedoria

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RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta manhã que não pretende encaminhar novos documentos à Corregedoria da Casa Legislativa para provar que não recebeu recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de parte de suas despesas pessoais. "Não vou enviar, já mandei tantos", disse Renan.

Ele é acusado de envolvimento com o lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior, que arcaria com o pagamento pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso --com quem Renan tem uma filha.

Ao chegar no final desta manhã ao seu gabinete, Renan evitou responder perguntas dos jornalistas sobre o episódio. Reportagem publicada hoje pela Folha afirma que Renan estaria disposto a apresentar mais documentos que comprovariam seus lucros no setor agropecuário alagoano nos últimos anos.

Segundo documentação fiscal e bancária entregue por Renan à Corregedoria do Senado na semana passada, ele teve um faturamento de R$ 1,9 milhão em 2006 com atividade agropecuária. Reportagem da revista "Época" informa que Renan vendeu 784 cabeças de gado em 2006, permanecendo com 1.704 reses. Em seu Imposto de Renda o valor do gado não foi declarado.

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), não virá a Brasília nesta segunda-feira porque se recupera de uma crise hipertensiva que sofreu no final de semana. Tuma pretende ouvir o lobista Cláudio Gontijo --apontado como o suposto responsável por repassar recursos da Mendes Júnior a Renan --e também a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha e pagaria pensão com o dinheiro da empreiteira.

Além das investigações da corregedoria, o Conselho de Ética do Senado se reúne na quarta-feira para discutir representação do PSOL contra Renan por quebra de decoro parlamentar. O presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), deve definir o nome do relator do processo contra Renan ainda esta semana.

Inicialmente, ele pretendia convidar Tuma para a função. Porém, até o momento, o corregedor não foi sondado e já avisou que pode se colocar como impedido uma vez que desempenha outra investigação sobre Renan. Sibá também pode optar por constituir uma comissão de três senadores, ao invés de um único relator, para analisar a representação contra Renan.

 

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