Relator da CPI do Apagão do Senado chama colega da Câmara de "Pedro Bó"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Com opiniões distintas sobre as causas do acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, que resultou na morte de 154 pessoas, os relatores da CPI do Apagão Aéreo da Câmara e do Senado trocaram farpas nesta segunda-feira. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) comparou o relator da CPI da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), com Pedro Bó --personagem que contracenava com Chico Anísio, que fazia o Pantaleão, na década de 70, e que fazia perguntas óbvias.
Maia, por outro lado, disse a integrantes da CPI da Câmara que Demóstenes tirou "conclusões precipitadas" sobre as causas do acidente. Oficialmente, o relator não rebateu as críticas de Demóstenes.
Enquanto o deputado atribui a maior parcela da responsabilidade pela queda do Boeing aos pilotos norte-americanos do jato Legacy --que se chocou com o avião brasileiro em setembro do ano passado-- Demóstenes disse que os controladores de vôo também têm que responder pelo acidente, uma vez que não alertaram o Boieng sobre a mudança de altitude do Legacy.
"O relator da Câmara é um Pedro Bó. Lá, eles criaram a CPI para enrolar e aqui a gente criou para trabalhar", afirmou Demóstenes numa crítica direta ao fato da CPI da Câmara ser integrada, em sua maioria, por parlamentares da base aliada do governo.
"Nós concluímos que os pilotos e os controladores têm responsabilidade pelo acidente, assim como concluiu a Polícia Federal e o Ministério Público. Se ele [Maia] tem uma nova conclusão, parabéns para ele", ironizou o senador.
Os controladores alegam que são inocentes uma vez que os equipamentos da Aeronáutica estão com falhas que podem ter prejudicado o trabalho dos militares no dia do acidente. Demóstenes defendeu que técnicos sem qualquer vínculo com a Aeronáutica ou com os controladores analisem os equipamentos utilizados no Cindacta-1, em Brasília. "Não estou convencido de que nosso sistema é seguro", afirmou.
Em depoimento à CPI do Senado, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, negou a existência de falhas nos equipamentos. Segundo Saito, os controladores apresentaram essa versão depois de terem sido indiciados como responsáveis pelo acidente com o boeing pelo Ministério Público Federal.
Os controladores, por outro lado, reafirmaram hoje em depoimentos reservados à CPI da Câmara que há uma série de falhas no sistema de controle de vôo do país. Entre os problemas apontados pelos controladores, estão a duplicidade de aeronaves nos radares e transmissões às cegas de instruções aos aviões.
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