Walfrido diz que oposição quer criar CPI da Navalha para "fustigar" o governo
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, admitiu hoje que o governo é contrário à instalação da CPI da Navalha. No entanto, ele negou a existência de uma pressão por parte do Palácio do Planalto sobre os aliados para evitar as investigações no Congresso.
De acordo com ele, o objetivo das CPIs (comissões parlamentares de inquérito) é "fustigar" o governo. "O governo não incentiva CPI por uma razão muito simples: porque a orientação das CPIs é para fustigar o governo", disse Walfrido. "Agora, por um outro lado, é um direito que o deputado tem, inclusive o deputado da base, de assinar. Portanto, não vamos constranger ninguém no sentido de dizer retire sua assinatura que é melhor ou pior."
Segundo o ministro, não há razão para instalar uma CPI da Navalha diante dos fatos já apresentados pela Polícia Federal.
De acordo com Walfrido, a posição do governo é de "combate ao mau uso da coisa pública": "A democracia é plena, a Justiça está funcionando, de maneira que aqueles que têm seus direitos feridos podem se defender,devem se defender e os que têm culpa têm de pagar".
Chinaglia
Hoje o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), descartou a possibilidade de instaurar uma CPI da Navalha. Segundo ele, a criação da comissão transformaria o Congresso uma "caixa de ressonância" das investigações policiais e que esse não é o objetivo da Casa.
"Tenho verdadeiro horror à idéia de que o Congresso sirva como caixa de ressonância de operações da PF", afirmou o deputado. "Os trabalhos da PF têm meses, quiçá um ano, e nenhuma outra instituição precisa interferir", disse ele, em São Paulo.
A Operação Navalha desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações para a realização de obras públicas. Foram presas 48 pessoas, entre ex-governadores, prefeitos, secretários de obras e infra-estrutura, além de empresários e funcionários públicos.
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