Após críticas de Chávez, oposição quer barrar entrada da Venezuela no Mercosul
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em resposta às críticas do presidente Hugo Chávez (Venezuela) ao Congresso brasileiro, os partidos de oposição estão dispostos a impedir a aprovação do termo de adesão da Venezuela ao Mercosul que tramita na Comissão Mista do bloco econômico do Congresso. PSDB e DEM (ex-PFL) deflagraram um movimento no Senado para obstruir a votação do termo de adesão até que Chávez se retrate publicamente com o Congresso brasileiro.
"Considero precipitado o ingresso da Venezuela no Mercosul. Eu vinha respeitando a decisão do presidente Lula em razão dos votos que ele obteve em sua reeleição, mas agora temos razão forte para barrar essa adesão. A Venezuela erra em sua política externa e isso pode esvaziar o Mercosul", argumentou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Segundo o tucano, Chávez poderá colocar em risco negociações importantes do Mercosul caso o país integre o bloco. "Ele [Chávez] segue o ritual clássico de um ditador. É um perigo ambulante. Isso não acabará bem: Hugo Chávez vai acabar guerreando com um país vizinho", criticou Virgílio.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que Chávez errou ao tentar barrar a liberdade de imprensa no país. "É mais importante ter liberdade de imprensa lá do que sermos chamados de apaniguados dos americanos", criticou.
Na semana passada, Chávez acusou o Congresso brasileiro de agir como um "papagaio" ao reproduzir pensamentos dos parlamentares dos Estados Unidos. Depois de receber respostas duras de senadores brasileiros, Chávez disse que criticou o Congresso brasileiro por causa de um "comunicado grosseiro" da Casa sobre assuntos internos da Venezuela.
A crise entre Chávez e o Congresso teve início depois que o venezuelano criticou a aprovação de um requerimento pelo Senado que pedia a renovação da concessão ao canal oposicionista RCTV. O presidente da Venezuela elogiou Lula, mas disse que o Congresso brasileiro reúne "representantes da direita".
Acordo
O acordo a ser votado pela comissão do Senado já foi aprovado pelo Paraguai e a Argentina. Além do Brasil, o Uruguai ainda não referendou a adesão da Venezuela ao Mercosul. Se for aprovado na Comissão Mista do Mercosul no Congresso, ainda precisa passar pelas comissões de Relações Exteriores e Finanças e Tributação da Câmara.
Em seguida, segue para votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado e no plenário da Casa Legislativa.
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