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Brasil
05/06/2007 - 13h32

Deputado chama relator da CPI do Apagão Aéreo de "Zé Goiaba"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A troca de farpas entre integrantes da CPI do Apagão no Senado e a CPI do Apagão da Câmara ganhou novos elementos hoje. Depois de o relator da comissão no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), chamar seu correspondente na Câmara, Marco Maia (PT-RS), de "Pedro Bó", hoje foi a vez dele ganhar um apelido. O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) chamou o senador de "Zé Goiaba".

"É triste na nação brasileira, um senador que eu nem sei de que Estado ele é, dar esse tipo de declaração. Se ele [Demóstenes] está chamando nosso relator desse nome ele é que é um 'Zé Goiaba'", afirmou Quintão, durante o depoimento do presidente da Embraer na Câmara, Frederico Fleury Curado.

Com opiniões distintas sobre as causas do acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, que resultou na morte de 154 pessoas, os relatores da CPI do Apagão Aéreo da Câmara e do Senado começaram ontem a troca de insultos.

Em entrevista a jornalistas, Demóstenes comparou Marco Maia ao personagem Pedro Bó --cujo ator que o representava contracenava com Chico Anísio, que incorporava o Pantaleão, na década de 70. Pedro Bó fazia perguntas óbvias.

Diante do comentário do senador, Maia evitou responder, disse apenas que Demóstenes tirou "conclusões precipitadas" sobre as causas do acidente. Oficialmente, o relator não rebateu as críticas de Demóstenes.

Divergências

Para Maia, a maior parcela da responsabilidade pela queda do Boeing é atribuída aos pilotos norte-americanos do jato Legacy --que se chocou com o avião brasileiro em setembro do ano passado--, enquanto Demóstenes disse que os controladores de vôo também têm que responder pelo acidente, uma vez que não alertaram o Boieng sobre a mudança de altitude do Legacy.

"O relator da Câmara é um Pedro Bó. Lá, eles [deputados] criaram a CPI para enrolar e aqui [no Senado] a gente criou para trabalhar", afirmou o senador ontem, numa referência direta ao fato de a CPI da Câmara ser integrada, em sua maioria, por parlamentares da base aliada do governo.

Em seguida, o senador acrescentou que: "Nós concluímos que os pilotos e os controladores têm responsabilidade pelo acidente, assim como concluiu a Polícia Federal e o Ministério Público. Se ele [Maia] tem uma nova conclusão, parabéns para ele".

Os controladores alegam que são inocentes uma vez que os equipamentos da Aeronáutica apresentariam falhas que podem ter prejudicado o trabalho dos militares no dia do acidente.

 

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