Oposição cobra apuração e base defende Vavá; Lula crê em inocência do irmão
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
Parlamentares da base governista e da oposição reagiram de maneiras diferentes ao indiciamento do irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá, por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário.
A Polícia Federal realizou busca e apreensão na casa de Vavá ontem durante a Operação Xeque-Mate, que desarticulou uma suposta máfia de caça-níqueis envolvida num esquema de corrupção policial.
A oposição quer apuração rigorosa do caso. "O que preocupa é que a primeira família esteja sendo investigada. O comentário do presidente, sugerindo que as investigações prossigam, é o mínimo que se espera de resposta", disse o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS).
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que levará o assunto para o plenário da Casa. "Estou impressionado. Nunca vi nada tão deplorável no momento político e na democracia brasileira. No meio disso tudo há uma massa de pessoas que se sentem impotentes", afirmou.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que esse tipo de "exploração" em cima do caso já era esperado. "É claro que ele é um atrativo não só jornalístico do ponto de vista quando se trata do irmão do presidente é notícia", disse.
O presidente interino, José Alencar, disse hoje não acreditar no envolvimento de Vavá em irregularidades. Ele afirmou que, "pelo que conhece" de Vavá, o irmão de Lula não está "metido em coisas desse tipo".
Para os aliados, a Polícia Federal atua corretamente e sem distinção nem diferenciação entre os denunciados. "Nós não temos informação suficiente ainda. Mas é exatamente o que o ministro da Justiça [Tarso Genro] disse: na operação da PF, não se vê parentes, graduação nem partidos políticos", afirmou o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Lula
Em Nova Déli (Índia), o presidente Lula disse não acreditar no envolvimento de Vavá com a máfia dos caça-níqueis. "Não acredito que o Vavá tenha envolvimento em qualquer coisa, não acredito mesmo. Agora, como presidente da república, se a PF tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência."
Em entrevista hoje de manhã em Nova Déli, Lula afirmou que, "como irmão", tem "um carinho extraordinário" por Vavá.
O presidente disse ainda duvidar que seu irmão tenha "algum problema" por conhecê-lo há 61 anos (a idade do presidente). Afirmou também que Vavá é um de seus "melhores irmãos" e "uma espécie de pessoa que cuida dos problemas de todo mundo que tem um problema".
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