Presidente da Embraer diz que funcionários não orientaram pilotos do Legacy
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento hoje à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, disse que os dois funcionários da empresa que estavam a bordo do jato Legacy no dia da colisão com o Boeing da Gol, no ano passado, não orientaram os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paladino a operarem o avião. Segundo Curado, o comandante e o co-piloto foram os 'únicos responsáveis' pelo controle do Legacy.
"Nós não tínhamos nem piloto nem co-piloto a bordo. Tínhamos pessoas da área comercial da Embraer acompanhando o vôo", afirmou.
Apesar da negativa de Curado, o deputado Vic Pires (DEM-PA) disse que a transcrição da caixa-preta do Legacy mostra que os pilotos teriam sido orientados por funcionários da Embraer quando enfrentaram dificuldades para pilotar o jato. Como a transcrição da caixa-preta é um documento extra-oficial, Curado disse que não vai se manifestar sobre a possível ajuda dos funcionários aos pilotos.
"Não cabe a mim comentar um relatório que é de responsabilidade do Cenipa. Nós temos que aguardar. Qualquer ilação, qualquer conjectura que eu vier a fazer seria um ato de leviandade. Não vou fazer isso."
Um dos funcionários da Embraer que estava no Legacy no dia do acidente, Daniel Bachmann, deve ser ouvido ainda hoje pela CPI da Câmara. Os deputados não permitiram que o funcionário acompanhasse o depoimento de Curado para evitar que os dois apresentem a mesma versão sobre o fato --embora parte do depoimento do presidente da Embraer tenha sido transmitido pela TV Câmara.
Curado alega que a presença dos funcionários da Embraer no jato eram "comerciais", sem o objetivo de auxiliarem os pilotos norte-americanos. O presidente da Embraer disse aos deputados não acreditar que o transponder (equipamento que envia os dados relativos ao avião para outras aeronaves e para o centro de controle) do Legacy tenha sido desligado acidentalmente pelos pilotos do jato --como argumentam Lepore e Paladino.
Curado também descartou a hipótese de falhas no equipamento ao argumentar que o Legacy possui uma espécie de "segundo transponder" de segurança caso o primeiro apresente falhas.
Sindicato
Depois de ouvir o depoimento de Curado, a CPI agora ouve o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, José Márcio Mollo. Ele alertou os parlamentares sobre a redução de investimentos no setor aéreo que podem provocar um novo 'apagão' nos aeroportos quando houver aumento no número de vôos.
"A crise do dia 30 de março pegou as empresas de calças curtas. Não há plano de contingência para conter outra crise como aquela", alertou.
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