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Brasil
05/06/2007 - 19h12

Grupo reúne as 171 assinaturas necessárias para criar a CPI da Navalha

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos responsáveis pela coleta de assinaturas, afirmou hoje que o grupo parlamentar favorável à instalação da CPI da Navalha no Congresso Nacional conseguiu as 171 assinaturas necessárias na Câmara para a apresentação do requerimento que pede a criação da comissão parlamentar de inquérito.

"É uma vitória para quem quer apurar alguma coisa nesta Casa", afirmou Delgado, comemorando o total de assinaturas.

Mas por segurança, ele disse que vai tentar coletar ainda mais assinaturas até amanhã. "A pressão para o pessoal tirar os nomes é muito grande. É melhor a gente garantir com uma margem de folga", disse.

No Senado, já há número suficiente para que a comissão mista seja instalada, uma vez que 29 parlamentares já aderiram ao requerimento --o mínimo são 27 assinaturas.

Segundo Delgado, o requerimento será apresentado amanhã às 15h na Mesa Diretora do Senado. Em seguida, cada assinatura contida no documento será checada pelos técnicos da Casa e só depois o requerimento vai ser encaminhado ao plenário, onde o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fará a leitura propondo a instauração da CPI.

Os deputados e senadores que assinaram o requerimento propondo a criação da CPI têm até à meia-noite --do dia em que Renan ler o documento em plenário-- para retirar seus nomes, caso queiram recuar na decisão.

A corrida por assinaturas mobilizou vários parlamentares de diversos partidos, à frente do grupo estão: Delgado, Augusto Carvalho (PPS-DF), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Júlio Redecker (PSDB-RS).

O objetivo da CPI, segundo os parlamentares, é investigar fraudes em licitações públicas, incluindo as originárias de emendas individuais e de bancada. A idéia surgiu a partir da Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal, que descobriu irregularidades envolvendo licitações com apoio de políticos, empresários e funcionários públicos.

Reações

O ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, disse ontem que as CPIs "fustigam" (provocam) o governo. Segundo ele, não há uma orientação para os deputados da base não assinarem o requerimento.

Ontem também o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a criação de CPI para investigar os desdobramentos da Operação Navalha tornaria o Congresso uma "caixa de ressonância" das investigações policiais.

Ao longo dos últimos dias, no período em que os deputado recolhiam assinaturas para a instauração da CPI, eles reclamaram da existência de pressão para que os aliados não apoiassem as investigações.

 

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