Tarso descarta substituição de Paulo Lacerda do comando da PF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Justiça, Tarso Genro, descartou nesta quarta-feira a possibilidade de substituir o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Paulo Lacerda. Ele sugeriu que aqueles que aguardam a troca do comando da PF busquem um "banquinho", dando a entender que a espera será longa ou até que nem venha a ocorrer. O ministro aproveitou ainda para desprezar os supostos movimentos de disputa existentes no órgão.
"Se tem algum setor, na PF ou fora dela, que entenda que o Dr. Lacerda é interino e que está esperando uma substituição, é bom comprar um banquinho porque não é visão alguma do governo ---nem minha nem do presidente--- que ele seja interino. Ele [Lacerda] não é interino. Ele está continuando no cargo e vai permanecer no cargo", afirmou o Tarso, após cerimônia sobre democracia e Justiça, no ministério.
O ministro evitou comentar sobre os desdobramentos da Operação Xeque-Mate, deflagrada pela PF, na qual um dos investigados e já indiciado pela Justiça é o irmão mais velho do presidente da República, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
Tarso também tentou diluir as informações de que Lacerda esteja enfraquecido e, por isso, será substituído à frente da PF. "A intenção dele [Lacerda] era dar como encerrada [a atividade na PF]. Aí nós começamos a trabalhar juntos e estamos gostando de trabalhar [juntos]. Eu conversei mais com ele [Lacerda] do que provavelmente o que o Márcio [Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça] conversou ao longo de um ano", disse.
Disputas
Segundo reportagem publicada hoje pela Folha, a interinidade do diretor-geral da Polícia Federal estimulou as disputas internas pela sucessão e pelo controle operacional das investidas policiais nos últimos meses.
No entanto, hoje, o ministro negou esse movimento interno na PF: "Estou muito satisfeito com o trabalho dele [Lacerda]. Se existe algum tipo de disputa, que diminua [a tensão]".
No ano passado, quando Lacerda anunciou sua disposição de deixar o cargo, o então ministro Márcio Thomaz Bastos teria dado margem para que se travasse a disputa pelos postos de comando na PF.
Ao menos cinco nomes foram cogitados para a vaga: o então diretor-executivo da PF, Zulmar Pimentel --agora afastado das funções por ordem da Justiça sob suspeita de ter vazado informações sigilosas relativas à Operação Navalha--; o diretor de Inteligência Policial, Renato Porciúncula; e o atual secretário nacional de Segurança Pública e delegado da PF, Luiz Fernando Corrêa.
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