Brasil
08/06/2007 - 14h11

Oposição ameaça revelar nome de quem retirar assinatura da CPI da Navalha

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Diante da pressão dos governistas para evitar a CPI da Navalha, deputados que defendem as investigações ameaçam divulgar os nomes dos parlamentares que retirarem suas assinaturas do requerimento que propõe a criação da comissão.

O grupo favorável à CPI se reúne na terça-feira em Brasília para tentar obter o apoio de mais 10 a 15 deputados e senadores. A idéia é apresentar o requerimento à Mesa Diretora do Senado até quinta-feira.

"Quem retirar agora a assinatura fará um papel muito vergonhoso e que acaba por autorizar qualquer cidadão a desconfiar de razões obscuras", afirmou o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ).

Em seguida, Alencar acrescentou que: "aqueles que retirarem os nomes serão expostos publicamente para que se expliquem à população".

Responsável pela checagem dos nomes, o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), prefere manter o otimismo e trabalhar para conseguir mais assinaturas. "Precisamos agir para ter uma margem razoável para evitar que, se houver recuos não atrapalhem a instauração da CPI, este será o nosso esforço", disse.

Na última quarta-feira, o grupo pró-CPI da Navalha conseguiu 173 assinaturas de deputados e 30 de senadores. Porém, o receio de que a pressão governista pesasse sobre os parlamentares da base aliada que apoiaram a instauração da comissão fez com que a apresentação do requerimento fosse adiado.

"Agora só vamos apresentar o requerimento quando tivermos garantia da margem", afirmou Alencar. "Não vamos adiar muito mais o pedido para abertura de investigações, mas também não vai haver pressa", disse Carvalho.

Pressão

Vice-líder do PT na Câmara, o deputado Maurício Rands (PE) admitiu que pelo menos 10 deputados devem retirar suas assinaturas do requerimento que propõe a CPI da Navalha. "Muitos deputados assinaram sem maior avaliação do que havia na proposta", afirmou o deputado, negando pressão por parte do governo federal.

Os ministros Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) e Tarso Genro (Justiça) sinalizaram que a CPI não interessa aos governistas. Segundo Walfrido, a comissão teria como objetivo provocar o governo. Já Tarso evitou falar publicamente sobre o assunto, mas deu entender que a Polícia Federal se encarregaria de cuidar do tema.

Para Rands, a meta da CPI é a disputa política e não as investigações sobre supostas irregularidades em licitações públicas envolvendo políticos, empresários e integrantes do governo federal. "O mais correto é encaminhar o assunto ao Ministério Público. A CPI não pode ser palco de disputa política nem o Congresso pode virar delegacia", disse o petista.

 

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