Justiça Federal prorroga prisão temporária de 27 detidos em operação
da Folha Online
O juiz da 5ª Vara Federal de Campo Grande (MS), Dalton Igor Kita Conrado, prorrogou nesta sexta-feira a prisão temporária de 27 detidos pela Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal. Entre os que permanecerão presos estão Nilton Cézar Servo, apontado como um dos líderes da máfia dos caça-níqueis, e Dario Morelli Filho, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O delegado da PF Alexandre Custódio, que preside o inquérito sobre a máfia dos caça-níqueis, pediu hoje à Justiça Federal a prorrogação da prisão temporária, que vence à meia-noite, de parte dos suspeitos que foram detidos na Operação Xeque-Mate.
A Polícia Federal quer confrontar declarações contraditórias dos depoimentos dos envolvidos.
Hoje, a PF tomou os depoimentos da advogada Maria Dalva Cristina Martins, mulher de Nilton Cézar Servo; de Hércules Mandetta Neto, irmão do secretário municipal de Saúde de Campo Grande (MS), Luiz Henrique Mandetta; de Ari Silas Portugal, que estava foragido e se entregou hoje à PF; e de Andrei Cunha.
Segundo a assessoria da PF, Martins foi ouvida hoje porque, na segunda-feira, quando foi presa, se recusou a falar.
Já Mandetta Neto estava foragido e se apresentou na noite de quarta-feira à PF. Cunha já havia prestado depoimento, mas resolveu colaborar com as investigações e falar novamente. Com isso, ele deve ter o benefício da delação premiada. A Polícia Federal ainda procura por mais cinco acusados que estão foragidos.
Operação
Na segunda-feira, a PF prendeu 76 pessoas. No dia seguinte, a PF anunciou a prisão de mais duas pessoas --Nilton Cézar Servo e seu filho, Victor Servo.
Cézar Servo é investigado por ser dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados e teria ligações com o irmão mais velho do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
Além de Vavá, Servo também seria ligado ao compadre de Lula, Dario Morelli Filho. Os dois seriam sócios em uma casa de jogos na Baixada Santista.
O irmão de Lula foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. A Polícia Federal realizou na segunda-feira busca e apreensão na casa de Vavá, em São Bernardo, no ABC Paulista.
A PF chegou a pedir a prisão do irmão de Lula, mas a Justiça indeferiu o pedido alegando que o tráfico de influência e a exploração de prestígio não beneficiaram a máfia dos caça-níqueis e que ele não faria parte da quadrilha.
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