PF volta a ouvir presos na Xeque-Mate para confrontar declarações
da Folha Online
A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul deve voltar a ouvir nesta segunda-feira 67 presos pela Operação Xeque-Mate para confrontar declarações contraditórias dos acusados.
A Justiça prorrogou na sexta-feira a prisão temporária de 67 dos 80 detidos na operação sob suspeita de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.
Segundo a PF, apenas 13 presos pela operação foram liberados na noite de sexta-feira.
O juiz da 5ª Vara Federal de Campo Grande (MS), Dalton Igor Kita Conrado, autorizou a prorrogação da prisão de 27 detidos, entre eles o empresário de jogos Nilton Cézar Servo e o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dario Morelli Filho. Já a Justiça de Três Lagoas (MS) prorrogou a prisão de outros 40.
"Homem forte"
Segundo reportagem publicada neste domingo pela Folha (só para assinantes), Nilton Cézar Servo apresenta Dario Morelli Filho, em uma conversa gravada em maio pela Polícia Federal, como o "homem forte" do PT que estava na campanha do presidente Lula à reeleição e de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.
Antes de ser detido na operação, Morelli era assessor técnico da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema), com salário de R$ 4.000.
Segundo a reportagem, no dia 24 de maio, a PF captou uma conversa de Servo com um homem não-identificado. No diálogo, o empresário convida o interlocutor para um encontro. "Eu estou aqui com o homem forte. Aquele que eu mandei você ligar na campanha para ele, que estava na campanha", diz Servo. "A do Lula?", pergunta o interlocutor. "É, do Lula, do Mercadante", responde Servo.
Nas campanhas de Lula e Mercadante, explica a reportagem, Morelli foi contratado para alugar e fornecer carros. À PF, ele afirmou que o serviço de locação de carros à campanha de Mercadante fez sua movimentação financeira subir de R$ 320 mil, em 2005, para R$ 661 mil no ano passado. Sobre a campanha de Lula, ele não precisou em qual trabalhou.
A reportagem informa ainda que outras escutas telefônicas, segundo a PF, apontaram que Morelli corrompia policiais para manter os caça-níqueis.
Em depoimento à PF, Morelli disse que já sabia da existência de grampo em seu telefone, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pela Folha (só para assinantes).
Ele afirmou ter sido avisado por um suposto anônimo, que teria ligado para seu telefone celular "em data que não soube precisar". No telefonema, oriundo de um aparelho da região metropolitana de São Paulo, o homem teria dito para Morelli "tomar cuidado", pois ele estava grampeado.
Operação
Na segunda-feira, a PF prendeu 76 pessoas. No dia seguinte, a PF anunciou a prisão de mais duas pessoas --Nilton Cézar Servo e seu filho, Victor Servo.
Cézar Servo é investigado por ser dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados e teria ligações com o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
Vavá foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. A PF chegou a pedir a prisão do irmão de Lula, mas a Justiça indeferiu o pedido alegando que o tráfico de influência e a exploração de prestígio não beneficiaram a máfia dos caça-níqueis e que ele não faria parte da quadrilha.
Além de Vavá, Servo também seria ligado ao compadre de Lula, Dario Morelli Filho. Os dois seriam sócios em uma casa de jogos na Baixada Santista.
Na noite de quarta-feira, Hércules Mandetta Neto, irmão do secretário municipal de Saúde de Campo Grande (MS), Luiz Henrique Mandetta, que estava foragido, se apresentou à PF. Na sexta-feira, Ari Silas Portugal, também se entregou.
Com isso, a PF prendeu 80 pessoas na operação. Cinco acusados ainda estão foragidos.
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