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Brasil
14/06/2007 - 14h15

Oposição manobra para ouvir jornalista e impedir arquivamento do caso Renan

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O PSDB e o DEM tentam trazer para depor no Conselho de Ética do Senado a jornalista Mônica Veloso e o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior. Eles são pivôs do caso que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele é acusado de usar Gontijo para pagar pensão e aluguel de Mônica --com quem tem uma filha.

A manobra da oposição é uma tentativa de bloquear a votação sumária do relator de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que sugeriu o arquivamento do processo de suposta quebra de decoro parlamentar contra Renan. Os dois partidos também querem barrar a tentativa do presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), de encerrar o caso sem tomar os depoimentos dos dois personagens do caso.

O PSDB e o DEM deciditam que vão apresentar dois votos em separado. Os dois partidos querem suspender a votação do relatório de Cafeteira, ouvir depoimentos e realizar perícias nos documentos apresentados por Renan. Com isso, o conselho deve votar nesta sexta-feira três propostas relativas às denúncias sobre quebra de decoro parlamentar contra Renan.

O líder da minoria no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), prepara o conteúdo do voto em separado. Segundo ele, é fundamental ouvir a jornalista ou o advogado dela, Pedro Calmon Filho, e Gontijo.

"É necessário fazer as diligências, não tem como não ouvir as testemunhas e já partir para o voto do relatório. Isso está previsto no regimento da Casa, no artigo 335", disse Torres. De forma semelhante pensa o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que também quer ouvir depoimentos e realizar perícias nos documentos.

Mas como Perillo e Torres são adversários políticos em Goiás, há um dificuldade política em acertar que ambos subscrevam a mesma proposta de voto em separado. No entanto, DEM e PSDB já definiram que vão tentar inverter a pauta no conselho, possibilitando que suas propostas sejam discutidas antes do relatório de Cafeteira. Esta manobra é chamada de "requerimento de preferência", segundo o regimento do Senado.

Placar

Dos 15 votos do Conselho de Ética, o PSDB, o DEM e o PDT contabilizam seis, já o grupo que defende o arquivamento afirma ter nove. O presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), só vota se houver empate. De acordo com os senadores que acompanham o processo, a tendência é de aprovar o relatório de Cafeteira, livrando Renan das denúncias e do processo de cassação de mandato.

Nos bastidores, o movimento é intenso no Senado. O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse garantir que o corregedor-geral da Casa, Romeu Tuma (SP), vai apoiar o voto em separado apresentado por seu partido. Mas entre os que defendem o arquivamento, há dúvidas sobre a posição a ser assumida por Tuma.

Como a votação é aberta, impedindo o segredo do voto, alguns senadores evitam se manifestar --antes da reunião do conselho-- sobre o processo. Pelo menos dois titulares estão fora do país: Heráclito Fortes (DEM-PI), que está no Reino Unido, e Adelmir Andrade (DEM-DF), que está na Suíça.

A Folha Online apurou que para a maioria dos integrantes do conselho há um desconforto em ter de votar o relatório referente ao processo de Renan. É que desde o primeiro mandato à frente da Casa, o senador conseguiu manter um relacionamento positivo com os colegas e nunca foi de provocar inimizades.

 

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