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Brasil
14/06/2007 - 21h15

Relator diz que denúncias contra Renan não mudam relatório

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, disse que não vai alterar seu relatório que absolve Renan depois das denúncias divulgadas na noite desta quinta-feira pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, contra o senador. Segundo Cafeteira, seu relatório foi elaborado anteriormente às denúncias do jornal.

"Não tenho que mudar meu relatório sobre uma coisa anterior. Meu relatório é sobre uma coisa antiga. De qualquer maneira, [a denúncia] deixa um grau de dúvida", disse. Apesar de manter seu texto, Cafeteira defendeu a apuração das denúncias. "Acho que pelo menos a denúncia deve ser examinada", afirmou.

Renan é acusado de quebra de decoro parlamentar por supostamente ter usado o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel da jornalista Monica Veloso, com quem tem uma filha.

Segundo reportagem veiculada pelo "Jornal Nacional", foram encontradas supostas irregularidades nos documentos apresentados pelo presidente do Senado na defesa feita ao Conselho de Ética da Casa.

Renan afirmou ser dono de três fazendas e teria arrendado outras três. Ele diz ter 1.700 cabeças de gado que teriam lucrado R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. Com o dinheiro, teria efetivado os pagamentos à jornalista com seus próprios recursos.

Um administrador das fazendas ouvido pela reportagem disse, no entanto, que Renan teria cerca de 1.100 cabeças de gado. Donos de empresas para quem Renan alega ter vendido gado afirmaram que nunca compraram nada do senador.

Mudança

Na véspera da votação do relatório sobre o caso Renan no conselho, os senadores já dão como certo o arquivamento do processo, no qual o peemedebista é acusado de quebra de decoro parlamentar. A expectativa da oposição, no entanto, é que as denúncias divulgadas pela TV Globo influenciem senadores a darem continuidade ao processo, sem o arquivamento do caso amanhã.

Parlamentares do DEM (ex-PFL) afirmaram que as denúncias reforçam a tese de que o processo contra Renan não pode ser arquivado sem que sejam ouvidas testemunhas do caso. Na opinião do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), as denúncias enfatizam que "não deve haver arquivamento sumário" do processo.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que as denúncias reforçam a necessidade dos democratas apresentarem voto em separado para que a votação seja suspensa amanhã. O partido cobra os depoimentos da jornalista Mônica Veloso e de Cláudio Gontijo ao conselho antes do final das investigações sobre o senador.

Autor da representação contra Renan no Conselho de Ética, o senador José Nery (PSOL-PA) disse que os senadores não podem arquivar o processo sem ampliar as investigações sobre Renan.

"Constatada a veracidade das denúncias, seria mais um elemento que justificaria ao Conselho de Ética refletir melhor sobre o que vai fazer amanhã. O conselho deveria ouvir testemunhas, periciar documentos", defendeu.

Cautela

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que o conselho deve agir com cautela antes de incorporar as denúncias como verdadeiras. "Prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém. O senador disse que tem toda a documentação que comprova a comercialização de gado. Se ele tem, vamos esperar que apresente", defendeu.

 

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