Relator ameaça entregar o cargo se conselho adiar votação do caso Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do processo por suposta quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ameaça entregar o cargo se o Conselho de Ética adiar a votação do caso para terça-feira (19). Renan e seus aliados sugeriram adiar a votação após as denúncias do "Jornal Nacional", da Globo, de que o peemedebista apresentou notas falsas de venda de gado para justificar sua renda.
"Se querem a mudar a data, entrego à senadora Ideli [Salvatti, do PT-SC] o cargo para me substituir. Não vou ficar desmoralizado. Não encontrei nenhum documento contra o presidente do Senado", disse Cafeteira.
Cafeteira disse que se a votação for adiada, o documento "perde a razão de ser" porque inclui apenas as denúncias sobre a Mendes Júnior e não as supostas notas frias. Ele sugeriu o arquivamento do processo por falta de provas contra Renan.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar o aluguel e pensão da jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.
De acordo com o "Jornal Nacional", Renan apresentou notas frias de venda de gado criado em fazendas de Alagoas. Renan usou a lucratividade com a venda do rebanho para justificar que sua renda era compatível com os pagamentos feitos a Mônica.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu nesta manhã ao Conselho de Ética que a votação seja adiada até terça-feira. A votação estava prevista para a manhã desta sexta-feira.
Segundo ele, o próprio Renan defende o adiamento da votação para que tudo seja esclarecido. "O senador Renan gostaria de ver tudo esclarecido. Sem prejudicar a votação do relatório e dos votos separados apresentados a este Conselho, poderíamos suspender a sessão, fazer perícia nos documentos e retomar na terça-feira essa votação", defendeu Jucá.
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