Advogado de jornalista acusa o de Renan de fraudar documentos de defesa
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O advogado Pedro Calmon Filho, que defende a jornalista Mônica Veloso, acusou hoje o advogado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Ferrão, de "forjar" documentos. Calmon depõe hoje para o Conselho de Ética do Senado, que analisa a representação do PSOL contra Renan por quebra de decoro parlamentar.
| Lula Marques/Folha Imagem |
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| Depoimento de Pedro Calmon Filho ao Conselho de Ética terminou em bate-boca com senadores |
Calmon Filho acusou Ferrão de ter fraudado documentos na defesa do senador. Entre os documentos apontados como fraudados por Calmon Filho estaria um documento em que Renan alega ter depositado R$ 100 mil para constituir um fundo para arcar com despesas futuras de educação da filha que teve com Mônica.
Questionado pelo senador Valter Pereira (PMDB-MS) se havia algum "documento de mentirinha" na defesa de Mônica, Calmon respondeu: "Quem produziu documentos forjados foi o advogado ali [apontando para Ferrão]".
"Se fizerem investigações, vão encontrar fraudes nos documentos deles. Estou desafiando qualquer pessoa no Brasil a provar que esse pagamento foi feito para constituir um fundo", disse Calmon Filho para o Conselho de Ética.
Calmon Filho disse que Ferrão o procurou para assinar um documento para comprovar a existência do fundo. Ele disse que Ferrão afirmou que sem a sua assinatura, a jornalista não receberia o dinheiro. Segundo ele, o dinheiro era referente ao pagamento de pensão e aluguel em atraso, e não ao fundo de educação.
Ele também trocou farpas com Sibá Machado (PT-AC) --que hoje atua como relator do caso contra Renan em substituição ao senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ao ser questionado repetidas vezes sobre como os pagamentos de Renan eram efetivados à Mônica Veloso,o advogado reagiu.
"Eu já respondi a essa questão quatro vezes, mas acho que o senador não entendeu", afirmou Calmon Filho.
Sibá disse que ficou "ofendido" com o comentário do advogado e cobrou respeito durante o depoimento. "Estou me sentindo ofendido e não vou aceitar. Não tente misturar os papéis. Estamos aqui para trabalhar. Não estamos nem um pouco interessados em comentários", rebateu o senador.
O advogado afirmou ainda que só vai responder as perguntas que julgar que não ferem seu direito constitucional.
O caso
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão para Mônica, com quem tem uma filha fora do casamento. Renan disse que os pagamentos foram feitos com recursos próprios.
Para justificar que os pagamentos eram compatíveis com seus ganhos, Renan alegou ter lucrado R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado. A Polícia Federal está periciando os documentos apresentados por Renan.
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