Greve do Incra completa 28 dias e servidores preparam ato no Planejamento
da Folha Online
A greve dos servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), iniciada em 21 de maio, completou 28 dias nesta segunda-feira. A categoria se reúne amanhã com representantes do Ministério do Planejamento para discutir as reivindicações dos grevistas.
Os servidores do Incra reivindicam a contratação de 3.200 funcionários, reestruturação do plano de cargos e salários e protestam contra o projeto de lei que limita por dez anos os reajustes salariais dos funcionários públicos.
O secretário de formação do Cnasi (Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra), Ramon Chaves Araújo, disse que a reunião de amanhã é o primeiro espaço de negociação que o governo deu para a categoria. "Não haviam nos dado nenhuma oportunidade de negociação."
Para pressionar o governo a negociar os pontos da pauta de reivindicação, os grevistas prometem realizar um ato em frente ao Planejamento nesta terça-feira.
Descontentamento
Araújo disse que a categoria ficou descontente com a decisão do governo de cortar o ponto dos grevistas --descontar os dias parados. "O tiro saiu pela culatra. Em vez de dissolver o movimento, a greve se fortaleceu. Os servidores reconhecem como seu o direito de paralisação", afirmou.
Segundo ele, 80% dos 6.100 servidores do Incra aderiram à paralisação em 29 das superintendências, além da sede. "Exceção são os funcionários comissionados."
Araújo disse que pessoalmente considera uma "incoerência" o governo dar reajustes de até 139,75% para os cargos comissionados e se recusar a negociar com os grevistas. "Essa é uma opinião pessoal minha."
O governo federal concedeu um reajuste de até 139,75% para cargos comissionados. Esse percentual de aumento, que atinge 3.588 servidores, está previsto na MP (medida provisória) 375, publicada no "Diário Oficial" da União desta segunda-feira.
Esses servidores ocupam cargos de comissionamento de nível DAS-3, cujos salários passam de R$ 1.575 para R$ 3.777.
Ao todo, a MP reajusta os salários de 21.563 funcionários em cargos de comissão. O aumento salarial, retroativo a 1º de junho, varia de acordo com a faixa de comissionamento: de 30,57% a 139,75%.
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