Brasil
18/06/2007 - 18h20

Presídio federal raspa cabelo de acusado de chefiar máfia dos caça-níqueis

REGIANE SOARES
da Folha Online

O empresário Nilton Cezar Servo, apontado como um dos líderes da máfia dos caça-níqueis, e outros 12 presos durante a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, tiveram os cabelos raspados no presídio federal em Campo Grande (MS).

Servo e os demais presos da Xeque-Mate foram para o presídio federal após prestarem depoimentos ao delegado Alexandre Custódio, responsável pelo inquérito da PF que indiciou 101 pessoas. No sábado, o empresário conseguiu autorização judicial para retornar à carceragem da Superintendência da PF em Campo Grande, onde chegou com a cabeça raspada.

A Folha Online apurou que raspar o cabelo dos internos é um procedimento normal do presídio federal por questão de higiene (para não transmitir piolhos) e de segurança (para não esconder objetos perfurocortantes).

Enquanto estavam presos temporariamente, os acusados não foram integrados ao regime do presídio. Mas a partir do momento que a Justiça Federal em Campo Grande decretou a prisão preventiva, na semana passada, todos tiveram que se adequar às regras.

No presídio federal de Campo Grande, o preso não pode entrar com nenhum pertence pessoal. Roupas são trocadas por uniformes completos, incluindo sapatos e chinelos. A única exceção é a cueca, que pode ser levada pelo preso. Os internos também recebem roupas de cama e banho e materiais de higiene, como escova de dente, creme dental e sabonete.

Como o presídio oferece quatro refeições ao dia (café da manhã, almoço, jantar e ceia), nenhum interno pode entrar com alimentos. A proibição também vale para as visitas --feitas uma vez por semana às quintas ou sextas-feiras--, que não podem levar comida, cigarros ou celular.

O presídio federal de Campo Grande tem capacidade para 208 internos, mas hoje tinha somente 58 presos, incluindo 12 da Xeque-Mate. Todos ficam em celas individuais de 6m² cada.

Operação

No dia 4 de junho, a PF prendeu 76 pessoas durante a Operação Xeque-Mate. No dia seguinte, a PF anunciou a prisão de mais duas pessoas --Nilton Cézar Servo e seu filho, Victor Servo.

Cézar Servo é investigado por ser dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados e teria ligações com Vavá e com Dario Morelli Filho. Os dois seriam sócios em uma casa de jogos na Baixada Santista.

Na noite do dia 6, Hércules Mandetta Neto, irmão do secretário municipal de Saúde de Campo Grande (MS), Luiz Henrique Mandetta, que estava foragido, se apresentou à PF. No dia 8, Ari Silas Portugal, também se entregou.

 

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