Brasil
18/06/2007 - 19h20

Advogado acusa Renan de pagar R$ 9.000 "por fora" à jornalista

Publicidade

da Folha Online

O advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, acusou hoje o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de pagar "por fora" R$ 9.000 de pensão à jornalista Mônica Veloso, além dos R$ 3.000 que passou a descontar oficialmente em seu contracheque depois de reconhecer a paternidade da filha com a jornalista, em dezembro de 2005.

"Ele propôs o pagamento de R$ 3.000 oficialmente e de R$ 9.000, oficiosamente, por fora", disse Calmon ao ler no conselho parte de petição que tramita em segredo de Justiça no processo de pensão de alimentos entre Renan e a jornalista.

Segundo o advogado, Renan pagou R$ 12 mil de pensão informal a Mônica Veloso entre o final de 2004 e dezembro de 2005, quando reconheceu a paternidade da filha.

Em 2006, quando passou a descontar o valor em seu contracheque, Calmon disse que Renan reduziu o valor da pensão oficial uma vez que seus rendimentos como senador somavam R$ 9,2 mil.

"Não tinha como pagar uma pensão de R$ 12 mil se ganhava pouco mais de R$ 9 mil", disse Calmon.

Segundo o advogado, o valor de R$ 12 mil foi "abruptamente suspenso" em outubro do ano passado por Renan, quando o senador passou a cumprir somente com o desconto de R$ 3.000 em seu contracheque.

Renan também pagou, segundo Calmon, R$ 100 mil em duas parcelas de R$ 50 mil --em maio e junho de 2006. O senador alega que os recursos foram repassados à jornalista para constituir um fundo destinado a custear a educação da criança.

O advogado da jornalista alega, no entanto, que os R$ 100 mil foram cobrir recursos não pagos por Renan na pensão "extra-oficial" que o senador repassaria a Mônica.

Outro lado

O advogado do presidente do Senado, Eduardo Ferrão, disse apenas que Renan recebe pouco mais de R$ 9.000 "como força de ofício" de senador.

O advogado não explicou, no entanto, se a pensão "extra-oficial" era efetivamente repassada à jornalista pelo senador, como alega a defesa de Mônica Veloso.

Ferrão teve o direito a discursar por dez minutos ao Conselho de Ética depois que Calmon o acusou de fraudar documentos de um suposto dossiê que seria usado como chantagem por Mônica contra Renan.

Ferrão disse que o advogado protagonizou "cenas patéticas" e ameaçou levar as ofensas à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

"Há instâncias da Ordem que tratarão do assunto com mais vagar", disse o advogado de Renan.

Ferrão afirmou que Calmon agiu com "truculência" ao apontar-lhe o dedo sob a acusação de fraudes em documentos. "Um dedo foi dirigido a mim em um momento de truculência", criticou.

Ao sair em defesa de Renan, Ferrão disse que seu cliente em nenhum momento agiu como um "moleque como muitos que agem por aí".

O senador Almeida Lima (PMDB-SE), que também saiu em defesa de Renan, acusou a jornalista de ter pedido R$ 20 milhões ao presidente do Senado como chantagem para não revelar as denúncias contra o senador. Lima disse que a oferta teria sido feita pelo pai do advogado, Pedro Calmon.

O advogado de Mônica negou a chantagem e disse que a jornalista nunca reuniu documentos ou fitas que pudessem ser usadas contra Renan.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca