Renan apresenta documentos e culpa digitação por duplicidade de cheque
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), encaminhou hoje a integrantes do Conselho de Ética cópias de documentos que indicariam que não houve duplicidade nos recibos apresentados por ele referentes à compra de gado em Alagoas. Os documentos foram levantados ontem pelo grupo de contadores que trabalha para o peemedebista.
O objetivo do senador é mostrar que não há irregularidades nos seus documentos encaminhados ao Conselho de Ética do Senado, e sim um equívoco na digitação de um recibo.
Renan tenta justificar a duplicidade em dois recibos encaminhados ao conselho que têm o mesmo número de um cheque do banco HSBC -- 409.571--, assinado por Marcelo Nunes Amorim.
Segundo o senador, os recibos são referentes a transações distintas de vendas de gado e não se referem ao mesmo cheque.
O presidente do Senado encaminhou cópia de dois cheques que corresponderiam aos recibos. O cheque de número 409.571 teria o valor de R$ 30.800, referente à venda de 550 arrobas de gado. O segundo cheque, de número 409.575, com o valor de R$ 95.232, teria sido utilizado para a venda de pouco mais de 1.500 arrobas de gado.
Renan alega que, em um recibo, houve erro de digitação no número do cheque. O recibo que deveria justificar o cheque de R$ 95.232, acabou registrando o número do cheque referente ao valor de R$ 30.800.
Clima
Depois dos depoimentos do lobista Cláudio Gontijo e do advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, ao Conselho de Ética, Renan demonstrou tranqüilidade nesta terça-feira.
O peemedebista pretende conduzir a sessão do Senado esta tarde e destravar a pauta de votações da Casa, bloqueada por medidas provisórias.
Renan quer demonstrar serenidade na retomada dos trabalhos do Senado para desviar o foco sobre as denúncias. Aliados do senador trabalham para evitar que as investigações do conselho incluam detalhes sobre a movimentação financeira do senador.
O grupo pró-Renan defende que o conselho se concentre apenas sobre as denúncias de que o senador teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
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