Brasil
19/06/2007 - 16h56

Senadores do PMDB e PDT defendem afastamento de Renan da presidência

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ocupou hoje a tribuna do Senado para pedir a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado Federal. Simon é o primeiro integrante do PMDB, partido de Renan, a pedir o afastamento do senador depois das denúncias de que ele teria utilizado recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

"Eu acho que esse é o momento que sua Excelência deveria, por contra própria, renunciar ao mandato de presidente do Senado", defendeu Simon.

Na opinião do senador peemedebista, se Renan deixar a presidência da Casa poderá "honrar sua história política" antes de manchá-la com novas denúncias.

"Se ele renunciar à presidência do Senado, aí é uma questão pessoal dele enfrentar a crise como senador", completou Simon.

Assim como o peemedebista, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) reiterou do plenário a defesa do afastamento de Renan. Na opinião de Peres, o Conselho de Ética deve apurar com rigor as denúncias contra o presidente da Casa sob pena de sair desmoralizado do processo de investigações.

"Trata-se de um amigo, mas temos que lidar com a razão ao invés do coração. A instituição está acima das pessoas. Se o Conselho de Ética tiver que punir, tem que punir. Senão vai ser a descrença total dessa instituição."

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também cobrou rigor nas investigações, mas evitou pedir explicitamente a renúncia de Renan da presidência. "Se o resultado da perícia [da Polícia Federal nos documentos de Renan] não for favorável ao senador, temos que ter a coragem de dizer para ele com toda franqueza, carinho e amizade que o Brasil está acima de nós, que o Senado está acima de cada um aqui", disse.

Ontem, representantes do DEM também defenderam o licenciamento de Renan até a conclusão do processo por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética da Casa.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse se estivesse no lugar de Renan pediria para se afastar do Senado. Mas disse que essa é uma decisão que cabe ao peemedebista. "Cada cabeça, uma sentença."

Para o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), Renan deveria se licenciar para fazer a sua defesa. "Em 10 ou 15 dias, ele prova e retoma suas atividades", afirmou.

Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos feitos para Mônica, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional", da semana passada, lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

Após a denúncia, o Conselho de Ética adiou a votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que sugeria o arquivamento das denúncias por falta de provas. Cafeteira alegou problemas de saúde e pediu afastamento da relatoria. O presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), tenta buscar um relator substituto entre o grupo aliado.

Defesa

Depois dos discursos contrários a Renan, aliados do presidente do Senado ocuparam o plenário para defendê-lo. O senador Almeida Lima (PMDB-SE), que ontem integrou a tropa de choque de Renan no Conselho de Ética, disse que o Senado não deve punir o senador diante da falta de provas nas acusações.

"Senhores, se aqui nós estivéssemos a apurar falcatruas da administração desta Casa decorrentes do exercício da presidência do Senado, aí sim se justificaria o afastamento do presidente. Nós não estamos a apurar nenhum fato que diga respeito à administração interna da Casa. A única reprimenda a ser feita ao senador Renan tem que ser feita pela família dele", disse Lima numa referência ao fato de Renan ter tido uma filha fora do casamento com Mônica Veloso.

 

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